Flávio Bolsonaro (PL) atingiu 50% das intenções de voto em Santa Catarina, abrindo 27 pontos de vantagem sobre o presidente Lula (PT), que marca 23%. O abismo entre os dois primeiros colocados expõe a consolidação do estado como o principal reduto eleitoral da direita para 2026.
O levantamento da Quaest, divulgado nesta quinta-feira (24), revela um cenário de definição precoce: 80% dos eleitores catarinenses afirmam que a escolha é definitiva. A margem de erro é de três pontos percentuais.
O cenário que define Santa Catarina como fortaleza da direita
Na pesquisa estimulada, Flávio Bolsonaro saltou de 45% para 50% em menos de um mês. Lula oscilou dentro da margem de erro, indo de 20% para 23%. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro com 5%, seguido por Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), todos empatados tecnicamente na faixa de 1% a 3%.
- Flávio Bolsonaro (PL): 50%
- Lula (PT): 23%
- Augusto Cury (Avante): 5%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3%
- Romeu Zema (Novo): 1%
- Outros/Branco/Nulo: 11%
- Indecisos: 4%
A soma dos nomes identificados com o centro ou a direita não-bolsonarista (Caiado, Zema, Cury) não alcança 10%, o que indica dificuldade de construção de uma “terceira via” competitiva no território.
O que mudou desde agosto: a escalada de Flávio e o recuo de Zema
A comparação com o levantamento de 24 de agosto mostra movimentos táticos relevantes. Flávio Bolsonaro capturou cinco pontos percentuais, vindo, em parte, da redução de indecisos (que caíram de 8% para 4%) e de brancos/nulos (de 13% para 11%).
O governador Romeu Zema (Novo) sofreu a maior erosão proporcional: caiu de 3% para 1%. Renan Santos também recuou um ponto. Caiado e Cury cresceram marginalmente, mas seguem distantes do pelotão de frente. A entrada de Leonardo Avalanche (PRTB) no lugar de Pablo Marçal, barrado pela Justiça Eleitoral, não alterou a dinâmica — o partido marca 0%.
Rejeição a Lula segue alta e explica o vácuo no centro
O termômetro da aprovação do governo federal em Santa Catarina ajuda a entender o cenário presidencial. A desaprovação à gestão Lula atinge 66%, ante 30% de aprovação. Embora a rejeição tenha caído três pontos desde agosto, o patamar elevado cria um teto de vidro para qualquer candidatura alinhada ao Planalto no estado.
Esse ambiente hostil ao governo federal facilita a agregação de votos no nome da oposição mais consolidada nacionalmente, no caso, Flávio Bolsonaro. A transferência de capital político do pai para o filho parece operar com eficiência máxima nesse eleitorado.
Voto decidido: 80% dos catarinenses já não mudam de ideia
O dado mais estratégico para as campanhas não está nas intenções, mas na solidez delas. Quatro em cada cinco eleitores ouvidos dizem que não mudam o voto até outubro de 2026. Apenas 20% admitem possibilidade de alteração.
Isso reduz drasticamente o espaço para viradas de última hora, debates televisivos ou fatos novos moverem a agulha em Santa Catarina. A disputa real, neste momento, ocorre na margem: quem herda os 4% de indecisos e os 11% de votos brancos/nulos.
O que observar nos próximos movimentos para 2026
A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-09969/2026, com 804 entrevistas realizadas entre 20 e 23 de setembro. O nível de confiança é de 95%.
Daqui para frente, três variáveis merecem monitoramento constante por analistas e investidores: a eventual candidatura de Jair Bolsonaro (hoje inelegível) e seu impacto na transferência de votos; a definição do palanque do PSD de Caiado, que pode rachar a base de centro-direita; e a capacidade de Lula reverter a desaprovação local com entregas concretas no Sul. Em Santa Catarina, no entanto, a largada já tem um líder isolado.
