Uma nova pesquisa Datafolha revela um cenário de fragmentação total na corrida pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado: quatro nomes oscilam entre 9% e 13%, enquanto dois terços do eleitorado sequer sabem em quem votar. O dado expõe a volatilidade de um pleito onde a definição dos vencedores depende menos de preferência consolidada e mais da capacidade de mobilização de última hora.
O levantamento, realizado entre 22 e 24 de setembro com 1.204 eleitores, traz uma radiografia precisa do vácuo de poder no estado. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca Marília Campos (PT), Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) rigorosamente no mesmo patamar competitivo.
O xadrez das duas vagas: como o eleitor está pensando
Como cada mineiro vota em dois candidatos distintos, a pesquisa separou as intenções para a “primeira” e “segunda” vaga. Essa divisão expõe estratégias diferentes: enquanto a petista Marília Campos lidera isolada na primeira preferência com 18%, ela cai para 8% na segunda menção, sugerindo um eleitorado fiel, mas com dificuldade de transbordar.
Já Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) mostram equilíbrio: aparecem com 13% e 10% na primeira vaga, respectivamente, e empatam tecnicamente com 8% cada na segunda. Aécio Neves (PSDB) repete o padrão de Marília: forte na primeira menção (15%), mais fraco na segunda (7%).
- Marília Campos (PT): 13% no total estimulado (18% na 1ª vaga / 8% na 2ª)
- Aécio Neves (PSDB): 11% no total (15% na 1ª / 7% na 2ª)
- Carlos Viana (PSD): 11% no total (13% na 1ª / 8% na 2ª)
- Domingos Sávio (PL): 9% no total (10% na 1ª / 8% na 2ª)
O abismo entre espontânea e estimulada
O dado mais revelador para estrategistas não está nas manchetes, mas na pesquisa espontânea — onde nenhum nome é apresentado. Ali, 67% dos entrevistados não citam ninguém. Marília Campos, líder no estimulado, atinge apenas 5% de recall puro. Carlos Viana aparece com 4%.
Essa discrepância de mais de 10 pontos percentuais entre o “topo de mente” e a resposta estimulada sinaliza que a eleição está aberta para quem conseguir transformar estrutura partidária e tempo de TV em lembrança de urna. Não há favorito natural; há uma disputa por atenção.
Quem cresce, quem estagna e o voto de protesto
Comparando com o levantamento de 11 de setembro, os movimentos são milimétricos, mas indicam vetores. Áurea Carolina (PSOL) saltou de 3% para 5% no total estimulado e dobrou na segunda vaga (de 6% para 8%), capturando parte do eleitorado progressista indeciso.
Em contrapartida, o bloco de “brancos, nulos e nenhum” caiu de 18% para 14% no total, sugerindo que o eleitor começa a aceitar a obrigação de escolher dois nomes, mesmo sem entusiasmo. Os indecisos, porém, permanecem estáveis na casa dos 20%, uma reserva de votos gigantesca a 11 meses da eleição.
O que observar daqui para a frente
Com 54 das 81 cadeiras do Senado em jogo em 2026, Minas Gerais será um termômetro nacional da correlação de forças entre o governo federal (PT), a centro-direita tradicional (PSDB/PSD) e a oposição de direita (PL). A definição das chapas proporcionais — deputados federais e estaduais que puxam votos para o Senado — será o divisor de águas.
Para o analista de risco político, a variável crítica não é quem lidera agora, mas a taxa de conversão de estrutura em votos válidos. Com 67% de “não sabe” na espontânea, a margem de três pontos percentuais deixa qualquer projeção em aberto. O jogo real começa quando a propaganda eleitoral obrigatória invadir a tela do eleitor mediano.
