Uma nova pesquisa Datafolha revela que Celina Leão (PP) chegou a 51% dos votos válidos no cenário sem José Roberto Arruda, patamar numérico que, se confirmado nas urnas, garante a vitória já no primeiro turno. O levantamento, divulgado horas após o TSE barrar definitivamente a candidatura do ex-governador, mostra a vice-governadora com o dobro das intenções de voto do segundo colocado, Leandro Grass (PT).
O cenário testado sem Arruda reflete a realidade jurídica atual da disputa. Nele, Celina oscila de 45% para 42% na pesquisa estimulada, enquanto Grass sobe de 19% para 23%. A margem de erro é de três pontos percentuais.
O cálculo que coloca a reeleição no radar
Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa de 50% mais um dos votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos). No recorte válido do cenário sem Arruda, Celina atinge exatamente 51%. Grass aparece com 27% e Paula Belmonte (PSDB) com 9%.
Se o cenário com Arruda fosse mantido, a dinâmica mudaria drasticamente: a ex-governadora cairia para 42% dos votos válidos, forçando um segundo turno contra Grass (23%) e o próprio Arruda (20%). A saída do ex-governador do páreo, portanto, beneficia diretamente a atual gestora.
Rejeição alta acende sinal de alerta
Apesar da liderança confortável, Celina carrega o maior índice de rejeição entre os principais nomes: 32% dos eleitores afirmam que não votariam nela “de jeito nenhum”. O número subiu quatro pontos em relação à rodada anterior.
Para comparação, a rejeição dos demais principais candidatos é:
- Arruda (PSD): 30% (mesmo fora da disputa, o nome foi testado);
- Leandro Grass (PT): 28%;
- Paula Belmonte (PSDB): 9%;
- Cappelli (PSB): 10%.
Esse teto de rejeição pode limitar a captação de votos nos próximos dias, especialmente se a campanha adversária conseguir consolidar o voto útil anti-Celina no segundo turno — caso ele ocorra.
Espontânea mostra eleitorado ainda desatento
Quando o eleitor é questionado sem a lista de nomes, o cenário evidencia o baixo engajamento: 31% não sabem em quem votar. Celina lidera com 30%, seguida por Grass (15%) e Arruda (12%), que ainda figura na memória do eleitorado apesar do impedimento legal.
O alto percentual de indecisos na espontânea sugere que há espaço para movimentação nas duas semanas que antecedem o pleito, embora a estimulada mostre uma corrida bastante definida.
Metodologia e próximos passos
O Datafolha ouviu 910 eleitores entre 22 e 24 de setembro. A pesquisa está registrada sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026, com nível de confiança de 95%.
Com a definição judicial sobre Arruda sacramentada, o foco da campanha migra para a tentativa de Celina de manter os 51% válidos e para a capacidade de Grass de furar a polarização e chegar a um eventual segundo turno. O próximo dado a ser observado é a taxa de comparecimento e a definição do voto dos indecisos na reta final.
