Economia

O segredo por trás dos R$ 1,4 mi em picolés: como uma desempregada virou dona de fábrica

Thayany dos Santos, empreendedora de picolés gourmet em Recife, fatura R$ 1,4 milhão ao ano
Da cozinha de casa para uma fábrica que fatura R$ 1,4 mi: a trajetória de Thayany dos Santos com picolés gourmet no Recife.

Grávida, desempregada e sem experiência na cozinha industrial: foi assim que Thayany dos Santos começou a produzir picolés gourmet em 2017. Hoje, a marca fatura R$ 1,4 milhão por ano e emprega dez pessoas no Recife.

O ponto de virada não foi um investimento milionário, mas uma doação de ingredientes básicos e a teimosia de não desistir quando o quinto liquidificador quebrou. O que começou como renda extra virou caso de estudo para quem quer escalar um negócio de alimentos sem perder a identidade.

Da cozinha de casa para a linha de produção

Thayany aprendeu a técnica com uma amiga e usou leite condensado, creme de leite, leite em pó e chocolate cedidos pela madrasta para testar as primeiras receitas. Cem unidades a R$ 3 cada renderam o capital de giro inicial — e a certeza de que havia mercado.

O crescimento exponencial quebrou equipamentos domésticos em série. Cinco liquidificadores não aguentaram o ritmo. Em vez de frear, ela reinvestiu cada lucro em máquinas melhores e no desenvolvimento de sabores que fugissem do óbvio.

Diferenciação que justifica o preço

Enquanto a concorrência brigava por centavos, Thayany apostou em sobremesas dentro do saquinho: pavê, pudim, cheesecake de frutas vermelhas. O portfólio hoje passa de 30 sabores.

Um investimento de R$ 3 mil em embalagens personalizadas mudou a percepção de valor. O cliente passou a pagar não só pelo gelado, mas pela experiência visual e pela promessa de qualidade consistente.

O salto que a pandemia forçou

O momento mais crítico trouxe o sócio estratégico. Fellipe Miguel, hoje marido de Thayany, entrou no negócio durante a crise sanitária trazendo visão de gestão e processos. Juntos, estruturaram a produção para entregar entre 18 mil e 20 mil picolés por mês.

A validação externa veio de forma inusitada: a família do cantor João Gomes encontrou o perfil no Instagram e contratou a marca para a festa do filho. “Foi surreal”, resume a empresária.

O que vem depois do primeiro milhão

Com 100 metros quadrados de área fabril e faturamento anual de R$ 1,4 milhão, o próximo passo é a construção de uma indústria própria. O desafio, segundo a chef Carole Crema, é padronizar receitas e criar fichas técnicas detalhadas antes de escalar — garantindo que o picolé de milésima unidade tenha o mesmo sabor do primeiro.

  • Faturamento atual: R$ 1,4 milhão/ano
  • Produção mensal: 18 a 20 mil unidades
  • Equipe: 10 funcionários (7 mulheres na produção)
  • Portfólio: 30+ sabores gourmet

O que observar daqui para frente

O setor de sorvetes no Brasil é dominado por pequenos negócios: 92% das empresas são micro ou pequenas, segundo a ABIS. A trajetória de Thayany mostra que diferenciação de produto, controle de qualidade e branding bem executado permitem competir com gigantes — mesmo saindo do zero. A construção da fábrica própria será o teste real de se a operação consegue crescer sem diluir o que a tornou especial.