O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) acaba de lançar uma radiografia definitiva do país: 228 indicadores distribuídos em 12 eixos temáticos para todas as 27 unidades da federação. O resultado expõe uma fratura exposta que nenhum discurso político consegue disfarçar.
Para quem decide onde alocar capital, expandir operações ou contratar talentos, o IMDS – Eleições: Panorama Estadual não é apenas um banco de dados. É um mapa de risco e oportunidade que separa o Brasil em dois blocos distintos — e a divisão não segue apenas a geografia.
O fato: uma ferramenta para tirar a venda dos olhos
A plataforma organiza dados de ambiente de negócios, atividade econômica, mercado de trabalho, situação fiscal, educação, saúde e segurança, entre outros. A proposta, segundo o presidente Paulo Tafner, não é criar um ranking único de “melhores e piores”, mas oferecer série histórica para saber se um problema é crônico ou conjuntural.
No ciclo eleitoral de 2026, a utilidade é imediata: permite ao setor privado testar promessas de campanha contra a trajetória real de cada estado nos últimos anos.
Impacto direto: o muro da renda e da pobreza extrema
O indicador mais contundente está na distribuição de renda. Dos nove estados com maior proporção de população abaixo da linha da extrema pobreza, todos pertencem ao Norte e Nordeste.
Do outro lado, Sul, Sudeste e Centro-Oeste dominam as primeiras posições. Para o empresário, isso significa dois mercados consumidores com poder de compra, endividamento e acesso a crédito radicalmente diferentes operando sob a mesma legislação federal.
- Ambiente de negócios e situação fiscal ditam a segurança jurídica e a capacidade de investimento público local.
- Educação e mercado de trabalho determinam a disponibilidade e a produtividade da mão de obra.
- Saúde e segurança impactam custo de benefícios, absenteísmo e qualidade de vida para atrair executivos.
Educação: o caso Ceará que quebra a regra (e o Alagoas que a confirma)
Os números de proficiência em leitura no 2º ano do fundamental escancaram a disparidade de formação de base. No Ceará, o percentual de alunos em nível adequado saltou de 44,9% (2021) para 72,1% (2023) — um ganho de 27 pontos percentuais em dois anos.
No mesmo período, Alagoas saiu de 30% para estagnados 30,7%. A diferença não é cultural; é gestão. Estados que priorizaram alfabetização na idade certa hoje colhem uma força de trabalho mais treinável daqui a uma década. Quem ignora esse dado contrata no escuro.
Saúde: o custo invisível da tuberculose nas metrópoles ricas
O aumento da tuberculose surpreende onde a renda é alta. No Rio de Janeiro, a taxa subiu de 79,3 para 99,3 casos por 100 mil habitantes entre 2020 e 2025. No Rio Grande do Sul, saltou de 53,8 para 69,8.
Doença de notificação compulsória e ligada a vulnerabilidade social, a TB em centros urbanos ricos sinaliza falhas na atenção primária e adensamento populacional mal gerido. Para empresas, traduz-se em afastamentos longos, custos previdenciários e risco sanitário em ambientes fabris e corporativos.
O que observar daqui para frente: o ano da verdade fiscal
Com as eleições estaduais batendo à porta, o painel do IMDS vira referência para monitorar se os candidatos vão atacar as causas estruturais — como a qualidade do gasto em educação e a cobertura de saúde — ou apenas surfar em indicadores de curto prazo.
O segredo que ninguém conta: a convergência entre indicadores fiscais saudáveis e resultados sociais consistentes é o melhor preditor de estabilidade regulatória. Estados que melhoram educação e controlam doenças sem estourar o teto de gastos tendem a oferecer previsibilidade tributária.
Daqui para frente, acompanhe a trajetória dos 12 eixos nos estados onde você opera. A divergência entre o Ceará que avança e o Rio que recua na saúde não é acidente. É escolha de gestão — e escolha de gestão move o PIB muito mais que taxa de juros.
