O Grupo Mabu acaba de desenhar sua rota tecnológica para o ciclo 2027-2031, tendo dados e inteligência artificial como eixos centrais. A estratégia apoia-se em uma base de aproximadamente 376 mil contratos acumulados nos diversos empreendimentos da rede. A meta declarada é triplicar a personalização, destravar vendas cruzadas e ganhar eficiência operacional em escala.
Mas a verdadeira revolução não está no volume de dados, e sim na forma como eles deixarão de estar presos a sistemas isolados.
A arquitetura por trás da identidade única
O alicerce do plano é um data warehouse capaz de unificar informações de hóspedes, operação financeira e receita em tempo real. Sobre essa base, a companhia constrói quatro pilares: identidade digital única, monitoramento contínuo, automação de rotinas e adoção progressiva de IA generativa e preditiva.
Na prática, isso significa que o perfil do cliente deixa de pertencer ao hotel, ao parque aquático ou à multipropriedade individualmente. Ele passa a ser um ativo único da holding.
Por que a independência de fornecedor muda o jogo
Segundo Alexandre Ceccon Vomero, diretor de Tecnologia do grupo, a camada de identidade está sendo desenvolvida para funcionar sem amarras a um único vendor. Essa decisão técnica abre caminho para que a informação circule livremente entre o Blue Park, os resorts de Foz do Iguaçu e Curitiba, e as unidades das categorias business e express.
Parte dessa infraestrutura já roda em testes no Blue Park. O resort serve como laboratório vivo para validar a tecnologia de identificação antes da escalada para o portfólio completo.
O impacto direto na jornada de compra
A camada de dados alimenta mudanças imediatas nos canais de venda. O grupo implementou três frentes simultâneas:
- Precificação dinâmica: algoritmos ajustam tarifas em tempo real conforme demanda, sazonalidade e perfil do comprador.
- Checkout sem fricção: redução de etapas no funil, com novas opções de navegação e integração nativa ao Pix.
- Venda cruzada inteligente: ofertas de parque aquático aparecem para hóspedes de hotel e vice-versa, baseadas no histórico unificado.
O resultado inicial já aparece no balanço: no primeiro trimestre deste ano, o canal digital respondeu por cerca de 30% da receita hoteleira do grupo.
O que observar daqui para frente
A transição do piloto no Blue Park para a rede inteira será o termômetro real da execução. Se a identidade única funcionar na prática, o Grupo Mabu terá em mãos um ativo raro no turismo nacional: uma visão 360 graus do viajante de lazer e corporativo, pronta para ser monetizada via IA nos próximos ciclos orçamentários.
Para investidores e parceiros, o sinal de alerta (e de oportunidade) está na velocidade com que a automação de processos internos converterá essa base de dados em margem operacional.
