Tecnologia

O plano do Grupo Mabu para 2031: IA, 376 mil contratos e o fim dos silos

Ilustração da estratégia 2031 do Grupo Mabu com IA, dados integrados e 376 mil contratos
Roteiro tecnológico 2027-2031 do Grupo Mabu centra-se em IA e quebra de silos de dados.

O Grupo Mabu acaba de desenhar sua rota tecnológica para o ciclo 2027-2031, tendo dados e inteligência artificial como eixos centrais. A estratégia apoia-se em uma base de aproximadamente 376 mil contratos acumulados nos diversos empreendimentos da rede. A meta declarada é triplicar a personalização, destravar vendas cruzadas e ganhar eficiência operacional em escala.

Mas a verdadeira revolução não está no volume de dados, e sim na forma como eles deixarão de estar presos a sistemas isolados.

A arquitetura por trás da identidade única

O alicerce do plano é um data warehouse capaz de unificar informações de hóspedes, operação financeira e receita em tempo real. Sobre essa base, a companhia constrói quatro pilares: identidade digital única, monitoramento contínuo, automação de rotinas e adoção progressiva de IA generativa e preditiva.

Na prática, isso significa que o perfil do cliente deixa de pertencer ao hotel, ao parque aquático ou à multipropriedade individualmente. Ele passa a ser um ativo único da holding.

Por que a independência de fornecedor muda o jogo

Segundo Alexandre Ceccon Vomero, diretor de Tecnologia do grupo, a camada de identidade está sendo desenvolvida para funcionar sem amarras a um único vendor. Essa decisão técnica abre caminho para que a informação circule livremente entre o Blue Park, os resorts de Foz do Iguaçu e Curitiba, e as unidades das categorias business e express.

Parte dessa infraestrutura já roda em testes no Blue Park. O resort serve como laboratório vivo para validar a tecnologia de identificação antes da escalada para o portfólio completo.

O impacto direto na jornada de compra

A camada de dados alimenta mudanças imediatas nos canais de venda. O grupo implementou três frentes simultâneas:

  • Precificação dinâmica: algoritmos ajustam tarifas em tempo real conforme demanda, sazonalidade e perfil do comprador.
  • Checkout sem fricção: redução de etapas no funil, com novas opções de navegação e integração nativa ao Pix.
  • Venda cruzada inteligente: ofertas de parque aquático aparecem para hóspedes de hotel e vice-versa, baseadas no histórico unificado.

O resultado inicial já aparece no balanço: no primeiro trimestre deste ano, o canal digital respondeu por cerca de 30% da receita hoteleira do grupo.

O que observar daqui para frente

A transição do piloto no Blue Park para a rede inteira será o termômetro real da execução. Se a identidade única funcionar na prática, o Grupo Mabu terá em mãos um ativo raro no turismo nacional: uma visão 360 graus do viajante de lazer e corporativo, pronta para ser monetizada via IA nos próximos ciclos orçamentários.

Para investidores e parceiros, o sinal de alerta (e de oportunidade) está na velocidade com que a automação de processos internos converterá essa base de dados em margem operacional.