Economia

Zillennials: a geração invisível que está redesenhando o consumo e o trabalho

Jovens zillennials (25-30 anos) usando smartphones e laptops em ambiente de trabalho moderno
A geração zillennial ponte entre millennials e Gen Z redefine consumo e carreira.

Existe um grupo de 25 a 30 anos que não se encaixa nos rótulos de millennials nem da geração Z — e empresas que ignoram essa diferença estão perdendo dinheiro. Chamados de zillennials, eles nasceram entre 1993 e 1998 e formam uma ponte comportamental única.

Não é apenas uma questão de idade. É uma mudança real em como decisões de compra, escolhas de carreira e lealdade a marcas funcionam na prática.

O que define quem nasceu na virada do analógico para o digital

Zillennials cresceram com internet discada em casa, mas entraram no mercado de trabalho já com smartphones no bolso. Vivenciaram a transição do Orkut para o Instagram, do MSN para o WhatsApp, do currículo impresso para o LinkedIn.

Essa dualidade criou um perfil híbrido: valorizam estabilidade como os millennials, mas exigem propósito e flexibilidade como a geração Z. Não são “meio a meio” — são uma terceira categoria com lógica própria.

Impacto direto no faturamento e na retenção de talentos

Estudos de comportamento mostram que zillennials respondem por fatia crescente do poder de decisão em lares e departamentos. No Brasil, estimativas de institutos de pesquisa indicam que esse grupo movimenta cerca de R$ 300 bilhões ao ano em consumo direto e influência familiar.

No ambiente corporativo, já ocupam posições de gerência média e sênior júnior — o elo entre estratégia e execução. Ignorar suas expectativas significa perder quem faz a engrenagem girar.

  • Consumo: pesquisam antes de comprar, confiam em creators de nicho, rejeitam greenwashing.
  • Trabalho: trocam salário por autonomia, mas não abrem mão de plano de carreira claro.
  • Marca: lealdade se constrói com coerência, não com campanhas pontuais.

Por que as estratégias atuais falham com esse público

A maioria das empresas ainda segmenta campanhas em “millennials” (agora com 35 a 43 anos) e “gen Z” (até 27 anos). Zillennials ficam no vácuo: velhos demais para TikTok trends, novos demais para comunicação corporativa tradicional.

Resultado: mensagens genéricas que não convertem. Um exemplo real — varejistas que usam linguagem “jovem” em e-mail marketing veem taxa de abertura cair 40% nesse segmento, enquanto comunicações diretas e transparentes mantêm engajamento acima de 25%.

O que muda nos próximos 18 meses

Até 2026, zillennials serão a maior fatia da força de trabalho ativa em cargos de decisão intermediária. Dois movimentos já estão em curso:

  • Empresas que adotarem benefícios modulares (escolha entre vale-cultura, academia, terapia, cursos) terão vantagem na contratação.
  • Marcas que abrirem dados de cadeia de fornecimento e impacto real — não só relatórios ESG — ganharão preferência no checkout.

O que observar daqui para frente

Acompanhe como esse grupo reage a dois testes de fogo: a expansão de IA generativa no dia a dia profissional e a maturação da economia de creators. Zillennials foram os primeiros a monetizar hobbies na internet — eles ditam o ritmo de adoção de novas ferramentas. Quem mapear esse comportamento agora, antecipa tendências que só viram mainstream daqui a dois anos.