As exportações brasileiras abriram setembro em ritmo acelerado, puxadas por café e petróleo, mas o cenário não é uniforme para todos os produtos. Enquanto o grão e a commodity energética batem recordes, milho e carne bovina registram quedas expressivas que acendem um alerta para o agronegócio.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam um contraste direto: a safra cheia de café e a produção recorde de óleo compensam o enfraquecimento de outras frentes. Entender essa dinâmica é essencial para quem precifica risco ou planeja safras futuras.
O efeito da supersafra no café
O café verde foi o grande destaque positivo. Nos primeiros dias de setembro, os embarques somaram 107,9 mil toneladas — o equivalente a 1,8 milhão de sacas de 60 kg. A média diária de 13,49 mil toneladas representa um avanço superior a 50% frente ao mesmo período do ano anterior, quando a média ficou em 8,9 mil toneladas.
Esse volume reflete a entrada da colheita robusta após os atrasos de julho. Em agosto, o setor já havia marcado história com mais de 4 milhões de sacas embarcadas, segundo o Cecafé. A liquidez internacional segue favorecida pela oferta abundante do lado brasileiro.
Petróleo acompanha produção inédita
No setor energético, o movimento é de força similar. As exportações de petróleo atingiram 5,25 milhões de toneladas na parcial do mês, com média diária de 656,2 mil toneladas. O salto de 75,6% na comparação anual espelha a produção recorde brasileira mantida pelo segundo mês consecutivo em julho.
A capacidade de escoamento e a demanda externa sustentam o fluxo, colocando o país em patamar diferenciado no suprimento global de energia.
Soja mantém ritmo, mas milho e carne recuam
A soja continua se beneficiando da colheita histórica. Foram 2,92 milhões de toneladas exportadas, média diária de 364,4 mil toneladas, alta de 9,2% ano a ano. O grão segue como esteio da balança comercial no primeiro semestre.
Por outro lado, dois pilares tradicionais mostram fragilidade:
- Milho: 2,29 milhões de toneladas (-16,7%), média diária de 286,2 mil t. O grão brasileiro perde competitividade frente à Argentina e destina mais volume ao etanol interno.
- Carne bovina: 79,8 mil toneladas (-30,3%), média diária de 9,96 mil t. A queda se repete desde agosto, pressionada pelo fim da cota chinesa de tarifa reduzida prevista para 2026.
O que observar daqui para frente
O fechamento da cota da China para carne bovina com alíquota menor tende a manter os embarques pressionados no curto prazo, a menos que novas negociações avancem. No milho, a disputa com a safra argentina e a política de biocombustíveis ditam o viés de baixa.
Já para café e petróleo, a continuidade dos embarques depende da logística portuária e da manutenção da demanda externa. Investidores e gestores de risco devem monitorar os prêmios nos portos e a taxa de câmbio — variáveis que, mais do que o volume, definem a rentabilidade real dessas operações nas próximas semanas.
