Economia

Recorde Absoluto: Porto do Pecém Move 70,9 Mil TEUs em Agosto e Surpreende Mercado

Porto do Pecém com contêineres empilhados, recorde histórico de 70,9 mil TEUs em agosto
Terminal de contêineres do Porto do Pecém atinge volume recorde mensal em agosto de 2024.

O Porto do Pecém registrou 70,9 mil TEUs em agosto, o maior volume mensal da história do terminal de contêineres do Cipp. O marco supera o recorde anterior, de outubro de 2025, e sinaliza uma mudança relevante na dinâmica logística do Nordeste.

O salto de 26% frente a julho e de 12% na comparação anual não aconteceu por acaso. Dois vetores distintos — e simultâneos — empurraram a operação para um novo patamar.

Os números que explicam o salto

Dados da APM Terminals mostram a magnitude da aceleração em três cortes temporais:

  • Agosto/2026: 70,9 mil TEUs (recorde histórico);
  • Julho/2026: 56,2 mil TEUs (+26% no mês);
  • Agosto/2025: 63,5 mil TEUs (+12% no ano).

A curva ascendente rompe a sazonalidade típica do meio do ano e coloca o terminal em trajetória para fechar 2026 acima das projeções iniciais.

Safra de frutas: o motor refrigerado

O início da safra de exportação de frutas do Nordeste injetou demanda imediata por contêineres refrigerados. A rota NWC, que conecta a região ao norte da Europa, fez suas primeiras atracações da temporada 2026 justamente em agosto.

Esse serviço é estratégico: ele garante janela de embarque para perecíveis com trânsito curto, fator decisivo para competitividade de melão, manga e uva nos mercados europeus.

Transbordo: o efeito colateral que virou protagonista

Paralelamente, restrições operacionais em outros portos brasileiros desviaram cargas de transbordo para o Pecém. O terminal absorveu volumes que, em condições normais, seguiriam por rotas alternativas.

Essa capacidade de “porto de refúgio” reforça a tese de resiliência da infraestrutura cearense, mas levanta a pergunta: o volume se sustenta quando a concorrência normalizar?

Escala operacional: 42 navios e um gigante

Foram 42 embarcações atendidas no mês. O destaque operacional ficou por conta do MSC Natasha XIII, que movimentou sozinho cerca de 3,8 mil TEUs em uma única escala — volume equivalente a quase 6% do total mensal.

A capacidade de receber navios dessa classe (Nova Panamax) sem gargalos de calado ou cais é o ativo duro que permite ao Pecém capturar essas oportunidades de mercado.

O que observar daqui para frente

A combinação safra + transbordo criou um pico atípico. O teste real virá nos próximos trimestres: a manutenção do serviço NWC durante toda a janela de frutas, a evolução das obras de expansão do cais e a normalização dos portos concorrentes ditarão se o patamar dos 70 mil TEUs vira novo normal ou permanece como recorde pontual. Para investidores e embarcadores, o sinal é claro: a infraestrutura portuária do Ceará tem capacidade ociosa para absorver choques de demanda — e isso tem valor estratégico.