Uma nova pesquisa Real Time Big Data coloca Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 53% das intenções de voto no cenário estimulado para o governo de São Paulo em 2026, índice que matematicamente resolve a disputa já no primeiro turno. O levantamento, porém, esconde um dado que impede qualquer comemoração antecipada: quase metade do eleitorado paulista ainda não sabe em quem votar quando os nomes não são apresentados.
O instituto ouviu 2.000 eleitores entre 9 e 12 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. O cenário desenhado tem impacto direto na montagem de palanques presidenciais e na precificação de ativos ligados ao estado.
O cenário estimulado e a matemática do primeiro turno
Quando os nomes são apresentados ao eleitor, Tarcísio soma 53% contra 36% de Fernando Haddad (PT). Como a soma dos adversários não supera o líder e a margem de erro é de apenas dois pontos, a configuração atual permite a vitória na primeira votação.
Brancos e nulos somam 5%, enquanto indecisos caem para 4%. Candidatos de partidos nanicos (UP, PCB, PCO, Agir e PSTU) aparecem agregados com 2%.
Segundo turno: a distância aumenta
Em um confronto direto simulado entre os dois principais nomes, a vantagem do atual governador se alarga. Tarcísio vai a 57%, enquanto Haddad oscila para 38%.
A diferença de 19 pontos percentuais sinaliza baixa transferência de votos dos candidatos menores para o petista e alta rejeição ao nome da oposição no eleitorado médio paulista. Para o mercado, o cenário reduz a incerteza regulatória e fiscal no horizonte de médio prazo.
O “iceberg” da pesquisa espontânea
O dado mais revelador — e menos comentado — está na pergunta sem cartela de candidatos. Nesse modelo, 47% dos entrevistados declararam não saber em quem votar.
- Tarcísio: 28%
- Haddad: 15%
- Outros: 3%
- Branco/Nulo: 7%
- Não sabe/Não respondeu: 47%
Esse volume de indecisos indica que a eleição ainda não está “na rua”. A vantagem no estimulado reflete, sobretudo, a força da máquina e a exposição midiática do cargo, não necessariamente uma escolha consolidada do eleitor.
Metodologia e leitura de risco
A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto, registrada no TSE sob o nº SP-02794/2026, com nível de confiança de 95%. A amostra de 2.000 entrevistas permite leituras regionais com razoável precisão.
Historicamente, levantamentos desta fase do ciclo eleitoral funcionam mais como termômetro de viabilidade para doadores e articuladores do que como previsão de urna. Discrepâncias relevantes entre pesquisas de véspera e resultados reais ocorreram em 2022.
O que observar daqui para frente
Três variáveis devem ditar os próximos movimentos dos números:
- Calendário de entregas: inaugurações e anúncios de infraestrutura até abril de 2026 tendem a cristalizar os 28% espontâneos em intenção consolidada.
- Estratégia do PT: Haddad precisa reduzir a rejeição e nacionalizar o debate para atrair o eleitor de Lula no estado — hoje, a transferência não ocorre de forma automática.
- Entrada de terceiros: eventual candidatura de centro-direita (ex: Simone Tebet ou nomes do PSD) pode drenar votos de Tarcísio no estimulado, forçando o segundo turno.
Para o investidor e o gestor público, o recado prático é: o cenário-base aponta continuidade administrativa, mas o elevado indeciso espontâneo mantém a janela de volatilidade aberta até o início do horário eleitoral gratuito. Acompanhar a evolução da pesquisa espontânea nos próximos trimestres é mais informativo do que oscilações no estimulado.
