Justiça

O que o presidente do TST disse sobre a reforma trabalhista que ninguém esperava…

Presidente do TST Luiz Philippe Vieira de Mello Filho discursa na Fundação FHC sobre reforma trabalhista
Ministro do TST critica reforma trabalhista de 2017 durante debate na Fundação FHC.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho classificou a reforma de 2017 como “não honesta” e expôs um racha entre as duas maiores cortes do país. A declaração reacende o debate sobre segurança jurídica para quem contrata e para quem trabalha.

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho fez o diagnóstico durante debate na Fundação FHC nesta segunda-feira (14). O ministro não poupou adjetivos: o texto aprovado tem quase 200 artigos, nasceu de um projeto com apenas sete e foi votado no dia seguinte a uma audiência pública. Para ele, faltou o “diálogo coletivo” que a OIT exige dos países signatários.

O vácuo legislativo que parou no colo dos juízes

A ausência de lei específica para motoristas de aplicativo obriga a Justiça do Trabalho a aplicar a CLT. Enquanto isso, o Supremo entende a relação como autônoma. O ministro chamou a contradição de “omissão legislativa não suprida há anos”.

Ele revelou ter ido ao Congresso articular um projeto de proteção para a categoria. O texto travou por discordância sobre o valor mínimo por entrega. Resultado: cada tribunal decide à sua maneira, e o empregador não sabe qual regra vale.

Três frentes de conflito entre TST e STF

  • Uberização: CLT versus autonomia — sem lei, juízes preenchem a lacuna.
  • Pejotização: divergência sobre quando a pessoa jurídica esconde vínculo empregatício.
  • Justiça gratuita: STF limitou o benefício a quem ganha até R$ 5.000; TST defendia teto mais amplo.

Essas decisões cruzadas criam incerteza para departamentos jurídicos e contábeis. Uma mesma operação pode ser válida em uma instância e anulada em outra.

O custo escondido da informalidade

Vieira de Mello Filho foi além do direito processual. Alertou que trabalhadores sem recolhimento previdenciário transferem para o SUS e para a Previdência Social os custos de acidentes, doenças ocupacionais e aposentadoria. “Patamar mínimo civilizatório” foi a expressão usada.

O ministro citou números do período posterior a 2016: a formalidade, que gerava cerca de 5% a 6% dos empregos, caiu e a informalidade saltou para quase 13%. A correlação direta com a reforma é debatida, mas o salto coincide com a vigência das novas regras.

O que observar daqui para frente

Três movimentos merecem atenção de quem gere pessoas ou capital:

  • Projetos de lei sobre trabalho em plataformas — o impasse do valor mínimo por entrega pode ser destravado no segundo semestre.
  • Novos recursos ao STF sobre pejotização — a tendência é firmar tese vinculante ainda em 2024.
  • Pressão por “reforma da reforma” — o próprio TST sinaliza que fará proposta oficial de ajustes pontuais.

Acompanhar essas frentes não é só questão de compliance. Define custo de contratação, risco de passivo trabalhista e capacidade de escalar operações com segurança jurídica.