Economia

Aluguel comercial sobe 11,26% em 12 meses; venda de escritórios perde valor real

Imagem de fachada de imóvel comercial com placa de aluga-se em área urbana movimentada do Brasil
Aluguel comercial sobe 11,26% em 12 meses, superando inflação, enquanto venda de escritórios tem ganho real negativo.

O custo para alugar um imóvel comercial de até 200 m² no Brasil saltou 11,26% nos últimos 12 meses, enquanto o preço de venda dessas mesmas unidades avançou apenas 2,05% no período. O resultado: quem compra para alugar vê retorno maior, mas ainda perde para a renda fixa.

Os números são do Índice FipeZAP Comercial de julho, divulgado nesta terça-feira (25). A inflação oficial (IPCA) no mesmo intervalo foi de 4,44%, ou seja, o aluguel subiu mais que o dobro. Já o IGP-M, indexador clássico dos contratos de locação, variou só 2,76%.

O que os números mostram

O preço médio de venda dos imóveis comerciais ficou em R$ 8.792 por metro quadrado. Para locação, o valor médio é R$ 53,68 por metro quadrado. A diferença entre os dois ritmos eleva o chamado rental yield — a rentabilidade anual projetada para quem compra para alugar.

Em julho, esse retorno médio chegou a 7,59% ao ano no segmento comercial. É mais que o dobro dos 6,14% estimados para imóveis residenciais. Mas ainda fica abaixo da projeção para aplicações de renda fixa nos próximos 12 meses, segundo a Fipe.

As cidades com maior alta

Todas as dez cidades monitoradas registraram aumento nos aluguéis. O ranking é liderado pelo Rio de Janeiro, com impressionantes 21,34% em um ano.

  • Rio de Janeiro: +21,34%
  • Salvador: +18,86%
  • Curitiba: +12,85%
  • Belo Horizonte: +8,79%
  • São Paulo: +7,82%
  • Brasília: +7,66%

No caso da venda, São Paulo — o maior mercado da amostra — registrou preço médio de R$ 10.602 por metro quadrado, alta de apenas 1,94% em 12 meses. O aluguel na capital paulista, por sua vez, subiu 7,82%, para R$ 61,74 por metro quadrado.

Por que isso importa para o seu negócio

Para empresas e empreendedores, a leitura prática é direta: alugar continua sendo mais flexível do que comprar. A locação permite direcionar capital para outras necessidades da operação e facilita mudanças de endereço conforme o negócio cresce.

“Uma possível leitura é que a locação oferece maior flexibilidade, especialmente em um cenário em que a compra exige maior comprometimento de capital”, afirma Mariangela Silva, economista do Grupo OLX.

O efeito nos pequenos negócios

O segmento analisado — unidades de até 200 m² — é justamente o mais usado por pequenas e médias empresas. Salas comerciais, consultórios e escritórios de serviços são os típicos ocupantes desse perfil. Com aluguéis subindo acima da inflação, o custo fixo desses negócios pressiona as margens.

Mas há um alerta importante: o índice mede preços anunciados, não contratos fechados. Ou seja, os valores podem não refletir exatamente o que foi negociado. “Sozinho, o índice não permite afirmar que houve migração da compra para o aluguel”, pondera a economista.

O que observar daqui pra frente

O cenário atual combina alta forte nos aluguéis, venda estagnada em termos reais e rentabilidade de compra para alugar em 7,59% ao ano. Para o investidor, o ponto de atenção é comparar esse retorno com o CDI e outras aplicações de renda fixa, que seguem projetando ganhos maiores.

Para quem usa imóvel comercial como ferramenta de trabalho, a recomendação é clara: negocie contratos longos com reajustes baseados em índices mais previsíveis, ou avalie a compra como proteção contra a escalada dos aluguéis — desde que o capital imobilizado não comprometa o caixa da operação.

O movimento dos próximos meses dependerá da dinâmica econômica de cada cidade. No Rio de Janeiro, a alta de 21% pode arrefecer ou continuar, conforme a demanda por espaços comerciais evoluir. Em São Paulo, o ritmo mais contido de 7,82% sugere um mercado mais maduro, mas ainda pressionado.

Ficar de olho nos dados locais é mais importante do que a média nacional. É isso que define se vale alugar, comprar ou esperar.