Economia

Rotina de CEOs: como treinar às 6h melhora o valor das empresas

CEO treinando às 6h na academia para melhoria corporativa
A disciplina nos treinos matinais de CEOs às 6h reflete diretamente no valor de mercado das empresas.

O treinamento físico deixou de ser um hábito pessoal para se tornar uma vantagem competitiva nos escalões corporativos. Se o condicionamento dos líderes tem ligação direta com o valor de mercado das empresas, como os executivos encaixam horas de exercício em jornadas exaustivas?

A disciplina como ativo de liderança

Para Roland Busch, diretor executivo da Siemens, o treino matinal tem o mesmo peso de uma reunião de negócios. Aos 61 anos, ele acorda às 6h para musculação e exercícios de alta intensidade, dividindo a rotina em ciclos de peito, costas e pernas —sem pular a perna, destaca. A ligação entre o físico e o desempenho corporativo não é retórica: Busch afirma que a energia e a disciplina da academia são cruciais para comandar a transição tecnológica do conglomerado alemão.

Outros líderes adotam abordagens semelhantes ao priorizar o exercício no início do dia, quando a agenda ainda não saiu do controle. Becky Worthington, ex-diretora financeira do Canary Wharf Group, mantém sessões diárias às 7h. Aos 54 anos, ela compete em três provas de triatlo por ano, intercalando ciclismo, corrida, natação e musculação.

O efeito nos pequenos negócios e nas estratégias corporativas

Se a consistência é a base do atletismo corporativo, Sayeh Ghanbari, chefe de consultoria da EY, traduz a prática de artes marciais diretamente para as estratégias de negócios. Faixa preta sênior em Kung Fu, a executiva treina mais de duas horas por três vezes na semana, mesmo em viagens pelo Skype.

A aplicação prática da luta, no entanto, vai além da resistência física. “No Kung Fu, você bloqueia um soco direto com um bloqueio circular, não enfrentando a força com a mesma força”, explica. “Aprendi que, diante de um conflito, não o enfrento diretamente, mas encontro uma maneira de contorná-lo.”

Adaptação, resiliência e alto volume de trabalho

A necessidade de mensurar resultados atrai líderes para modalidades de alto rendimento. Michael Murray, presidente do Frasers Group, pratica o Hyrox, um desafio indoor que combina 8 km de corrida com exercícios funcionais. Para ele, a clareza de metas e a disciplina constante na competição espelham exatamente o mundo dos negócios.

  • Kevin O’Brien (Gammon Construction): Acorda às 6h ou mais cedo para correr 10 km antes do expediente na construção civil. A regra é simples: fazer imediatamente, sem pensar duas vezes.
  • Christoph Jurecka (Munich Re): Pratica Ashtanga Yoga há mais de uma década. Para ele, o yoga e os seguros compartilham o mesmo propósito: construir resiliência para absorver choques e contratempos.
  • James McMaster (Huel): Pai de crianças pequenas, usa uma mochila com peso para caminhar com o cachorro ou as crianças, dobrando a queima de calorias e treinando na zona 2 de frequência cardíaca.

A utilidade do esporte além do estético

Ao atingir 45 anos, Arlo Brady, do grupo Freuds, notou os impactos da intensa rotina corporativa em seu metabolismo. Para fugir da academia, passou a fazer reuniões caminhando para atingir 10 mil passos diários. Joanne Crevoiserat, da Tapestry, manteve uma sequência de corridas diárias durante a pandemia e garante que 30 a 45 minutos de suor pela manhã são essenciais para descobrir novas ideias e analisar desafios complexos.

A lesão e a embolia pulmonar sofridas por Brady após um acidente de esqui mostram os limites do corpo, mas não frearam a busca por desempenho. Atualmente focado em reabilitação e sono, o executivo ilustra como a adaptação física é constante.

O que observar daqui para frente

Enquanto o mito do CEO invencível cede espaço a rotinas que incluem reposição e alongamento, o dado central permanece: a atividade física constante se consolidou como infraestrutura básica para a tomada de decisão de alto nível. Daqui para a frente, observe como o alto volume de trabalho de líderes exigirá não apenas força de vontade, mas sistemas de recuperação cada vez mais estruturados.