O senador e candidato ao governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), iniciou a produção de seu horário eleitoral com uma promessa logística ousada: construir aeroportos em até oito municípios isolados e criar uma companhia aérea regional via parceria público-privada. A meta declarada é derrubar o preço das passagens entre a capital e o interior.
A gravação ocorreu em uma agência na Zona Centro-Sul de Manaus, marcando o pontapé visual da coligação “Força Amazonas”, que reúne PSD, MDB e Republicanos. Mas a proposta vai além de palanque: ela mira um gargalo histórico que encarece negócios e dificulta o acesso à saúde no estado.
O nó logístico que trava o interior
Hoje, dezenas de municípios amazonenses dependem exclusivamente de transporte fluvial ou aéreo precário. A falta de infraestrutura aeroportuária adequada transforma voos curtos em passagens caras, muitas vezes superiores a trechos internacionais.
Para o empresariado local, isso significa custo de frete alto, dificuldade de escoamento de produção e barreira para o turismo de natureza. A proposta de Aziz ataca diretamente essa dor: sem pistas modernas, não há como atrair operadoras competitivas.
Como funcionaria a “companhia do estado”
O modelo desenhado pelo candidato prevê uma PPP (Parceria Público-Privada). O estado entraria com a construção das pistas e terminais; a iniciativa privada, com a operação da frota e da malha aérea.
- Meta de pistas: 7 a 8 novos aeroportos em municípios hoje sem acesso aéreo regular.
- Foco: Voos de curta duração ligando a capital a polos regionais.
- Objetivo de preço: Tarifas “baixas” viabilizadas pela escala da operação própria e subsídio cruzado.
Aziz resumiu a lógica na gravação: “Nós temos que construir aeroportos no interior […] e fazer com que a gente tenha uma companhia aérea aqui no Amazonas que possa levar e trazer passageiros […] com custo barato”.
Experiência prévia e capital político
Não é a primeira vez que Aziz comanda o executivo estadual. Ele governou o Amazonas entre 2010 e 2014, período em que expandiu a malha viária terrestre. Agora, no mandato de senador, articulou emendas para infraestrutura regional — capital que usa para dar lastro à viabilidade do plano aeroportuário.
A agenda do dia incluiu ainda reuniões com lideranças partidárias à tarde e participação em debate televisivo à noite, sinalizando estratégia de ocupação simultânea de mídia tradicional e articulação de base.
Calendário eleitoral: datas que o eleitor precisa saber
A campanha de rua e internet começou em 16 de agosto. A propaganda no rádio e na TV estreou em 28 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando os amazonenses votarão para cinco cargos: presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
O que observar nas próximas semanas
A viabilidade financeira da PPP promete ser o centro do debate técnico. Especialistas em concessões apontam que a demanda pulverizada do interior amazonense exige subsídios contínuos — o que exige previsão orçamentária clara no plano de governo. Outro ponto de atenção: o licenciamento ambiental para novas pistas em áreas de preservação costuma alongar prazos em anos.
Para quem investe ou empreende na região, a sinalização é clara: a logística aérea entrou na pauta prioritária. Resta acompanhar se a proposta sai do papel de campanha e ganha modelagem jurídica e econômica crível nos próximos programas eleitorais.
