Nova pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) coloca o presidente Lula (PT) com 39% das intenções de voto para 2026, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de cinco pontos rompe o empate técnico registrado na semana anterior e redesenha o tabuleiro eleitoral antecipado.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 25 e 27 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais. Como a distância entre os dois nomes agora supera a margem, a vantagem do petista torna-se estatisticamente significativa.
O que os números revelam sobre o cenário político
Além da dupla líder, o cenário testado incluiu outros possíveis candidatos. Nenhum terceiro nome ultrapassou a barreira dos dois dígitos, o que mantém a polarização como eixo central da disputa. Brancos e nulos somam 14%, enquanto 7% não sabem ou não responderam.
Para o mercado, a leitura imediata aponta para maior previsibilidade no horizonte de médio prazo. A consolidação de dois polos definidos reduz a probabilidade de surpresas de última hora que costumam elevar o prêmio de risco nos ativos brasileiros.
Impacto direto nas decisões de investimento
Gestores de fundos multimercado já ajustam posições com base na percepção de que a política fiscal tende a manter o atual direcionamento, ao menos até o período eleitoral formal. A curva de juros futuros mostrou alívio nas pontas longas nas primeiras horas após a divulgação.
- Dólar futuro recuou 0,3% no after-market
- DI jan/27 caiu 4 pontos-base
- Ibovespa futuro abriu em alta de 0,5%
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.
Segurança pública e clima: variáveis que não param
Enquanto o noticiário político ocupa o centro do palco, a operação no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, resultou em uma morte e feridos — entre eles um policial militar e uma criança. O episódio reforça a pressão por respostas concretas na área de segurança, tema sensível para o eleitorado de grandes centros urbanos.
Em São Paulo, um policial penal foi preso suspeito de matar a esposa a tiros na Grande SP. Casos de violência doméstica envolvendo agentes de segurança acendem alerta para protocolos de controle de armas e saúde mental nas corporações.
No front climático, a previsão indica alívio para o calor extremo no Sudeste a partir de quinta-feira (30), com chegada de frente fria. No Sul, um ciclone extratropical deve trazer volumes expressivos de chuva entre terça e quarta, com risco de alagamentos e impactos na colheita de soja.
O que observar daqui para frente
A combinação de cenário eleitoral mais nítido, instabilidade na segurança pública e eventos climáticos adversos cria uma janela de volatilidade curta. Investidores devem monitorar: a reação do Banco Central na próxima reunião do Copom, a tramitação do arcabouço fiscal no Congresso e a evolução das chuvas no Sul sobre a safra 2024/25. O próximo Datafolha, previsto para fevereiro, será o teste decisivo para confirmar ou reverter a tendência captada agora pela Quaest.
