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O segredo do azeite brasileiro que venceu na Itália e chocou especialistas…

Garrafa de azeite Sabiá premiada no Flos Olei 2027 como melhor extração
Azeite Sabiá conquista prêmio inédito de melhor sistema de extração no guia Flos Olei 2027 em Roma.

O azeite Sabiá acaba de conquistar o prêmio de melhor sistema de extração no guia Flos Olei 2027, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer essa categoria técnica na história da premiação. A cerimônia ocorre em 11 de dezembro, em Roma, e coloca o país em um patamar até então reservado a potências europeias. Mas a vitória vai muito além da medalha: ela expõe uma mudança estrutural na forma como o Brasil produz valor no agro.

Em 2025, a marca já havia levado o título de melhor monovarietal de frutado médio com o Koroneiki. Agora, o reconhecimento recai sobre o processo por trás do azeite Picual — um varietal que exige precisão cirúrgica do olival à centrífuga. O que esse bicampeonato sinaliza para quem investe ou empreende no setor?

Por que o “sistema de extração” muda o jogo

Diferente de prêmios de sabor, a categoria “melhor sistema de extração” audita a engenharia por trás do produto. Avalia-se o manejo do olival, o ponto exato da colheita e, crucialmente, o tempo entre a retirada da azeitona e o processamento industrial. No caso do Picual, a janela é implacável: horas de atraso oxidam o fruto e destroem o perfil sensorial.

Bia Pereira e Bob Vieira da Costa, fundadores do Sabiá, resumem o desafio: transformar potencial agronômico em qualidade na garrafa exige controle total da cadeia. Não há espaço para “jeitinho”. É gestão de risco puro, aplicada à agricultura de precisão.

O cenário competitivo: Brasil no mapa das 500 melhores

A edição 2027 do Flos Olei reuniu 500 propriedades de 58 países. O Brasil emplacou 15 marcas na lista — 11 do Rio Grande do Sul e 4 de Minas Gerais. O Sabiá divide o topo da avaliação nacional com a Prosperato: ambas cravaram 98 pontos em uma escala de 100.

Essa concentração no Sul não é acidente. O terroir da região, somado a investimentos recentes em tecnologia de extração a frio e logística refrigerada, criou um cluster competitivo. Para investidores, o recado é claro: a olivicultura brasileira saiu da fase experimental e entrou na fase de escala com padrão exportação.

  • 58 países avaliados na edição 2027.
  • 15 marcas brasileiras ranqueadas.
  • 98/100 pontos: nota máxima nacional (Sabiá e Prosperato).
  • 2 títulos internacionais para o Sabiá em 3 edições (2025 e 2027).

O efeito cascata no mercado interno

O prêmio em Roma funciona como certificação de terceira parte para o varejo e food service nacional. Redes de supermercados e restaurantes de alta cozinha ganham argumento técnico para priorizar o extravirgem local frente aos importados — muitas vezes mais velhos e caros.

Além disso, a rastreabilidade exigida pelo guia italiano força transparência. O consumidor final passa a exigir data de colheita, variedade e método de extração no rótulo. Quem não entregar, perde prateleira.

O que observar daqui para frente

Os fundadores viajam a Roma em dezembro para receber o troféu, mas o verdadeiro termômetro virá na safra 2024/25. A capacidade de replicar o padrão 98 pontos em volume comercial — sem perder a janela de extração — definirá se o case vira referência de gestão ou permanece exceção de boutique. Fique atento ao custo de aquisição de novas áreas no RS e MG: a valorização do ativo “olival premium” já começou.