Justiça

Você tem 2 votos para o Senado em 2026? Veja os 16 nomes que disputam o RJ

Infográfico com os 16 candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026
Conheça os 16 nomes que disputam as duas vagas ao Senado Federal pelo Rio de Janeiro em 2026.

Nas eleições de 4 de outubro, cada eleitor fluminense terá dois votos para o Senado — e eles não podem ser dados ao mesmo candidato. As duas vagas renovam a bancada que hoje é 100% do PL, com mandatos de oito anos em jogo.

O colégio eleitoral do Rio soma 12,8 milhões de votantes. A regra é simples: os dois mais votados levam as cadeiras. Mas, por trás da mecânica, há um tabuleiro que mistura reeleição, salto para a Presidência e estreantes de partidos nanicos a legendas tradicionais.

Por que a composição da bancada vai mudar

Hoje o estado é representado por Romário, Carlos Portinho e Flávio Bolsonaro — todos do PL. Os mandatos de Portinho e Flávio terminam em janeiro de 2027. Portinho tenta a reeleição; Flávio disputa a Presidência da República. Pelo menos uma cadeira trocará de mãos, e a segunda depende do desempenho do atual senador na corrida ao Planalto.

O Senado tem poderes que a Câmara não tem: aprovar indicações ao STF, tribunais superiores, embaixadas, PGR e Banco Central; fixar limites de endividamento da União e dos estados; julgar autoridades com foro privilegiado. Quem ocupar as vagas influenciará diretamente esses vetores nos próximos oito anos.

O que diz a pesquisa Datafolha mais recente

  • Benedita da Silva (PT): 19%
  • Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL): 12% cada
  • Pedro Paulo (PSD): 9%
  • Marcelo Crivella (Republicanos): 7%
  • Mônica Benício (PSOL): 6%

O cenário aponta fragmentação: nenhum nome passa de 20%, e a margem de erro pode embaralhar a ordem. Dois terços do eleitorado ainda não definiram o segundo voto — espaço para viradas nas últimas semanas.

Principais propostas por eixo temático

Judiciário e STF

  • Mandatos fixos (8 a 12 anos) e fim de decisões monocráticas: Jordy, Portinho, Crivella, Marcos Dias, Mattos.
  • Escolha popular ou lista tríplice de juízes de carreira: Ó Clemente, Marcos Dias, Waguinho.
  • Nova sabatina periódica: Crivella.

Segurança pública

  • Classificar facções como terroristas/narcoterroristas, acabar com progressão de pena e saidinhas para líderes: Jordy, Portinho, Pedro Paulo.
  • Integração de forças, inteligência, urbanismo e câmeras corporais: Mattos, Mônica Benício, Vinícius Benevides.
  • Exército treinando contingente de apoio: Pedro Paulo.

Trabalho e renda

  • Fim da escala 6×1 (jornada 5×2): Benedita, Mônica Benício, Pedro Paulo, Vinícius Benevides.
  • Salário mínimo de R$ 7,5 mil e jornada de 35h: Luiz Eugênio (PCO).
  • Apoio a mães atípicas (auxílio, redução de jornada, estabilidade): Pedro Paulo, Comandante Ribeiro Afonso.

Economia e emendas

  • Fim da “emenda Pix”, transparência e distribuição por município: Crivella, Pedro Paulo, Marcos Dias, Ó Clemente.
  • Desoneração de folha, aumento do teto do MEI: Portinho.
  • Redistribuição de royalties do petróleo por habitante: Waguinho.

Perfis que fogem ao script tradicional

Hélio Secco (Missão) — biólogo, doutor em Ciências Ambientais, propõe destinar metade das emendas a segurança e o restante a ciência, saneamento e recuperação de mananciais.

Luciano Mattos (PRTB) — ex-procurador-geral de Justiça, defende investigação policial robusta, câmeras corporais e ataque à estrutura financeira do crime organizado.

Mônica Benício (PSOL) — arquiteta urbanista, viúva de Marielle Franco, foca em orçamento continuado para universidades, SUS 100% público e direitos de trabalhadores de aplicativos.

Vinícius Benevides (UP) — camelô dos trens, propõe auditoria da dívida pública, fim de OSs na saúde, retomada da construção naval estatal e câmeras em todos os uniformes policiais.

O que observar até outubro

A campanha oficial começa em 16 de agosto. Debates televisionados e o horário eleitoral gratuito tendem a mover os indecisos — hoje a maioria do eleitorado. Fique atento à taxa de abstenção e votos nulos/brancos para o Senado; em 2022, ela superou 30% no estado, o que reduz o total de votos válidos necessários para vencer.

Outro termômetro: a migração de eleitores de Flávio Bolsonaro. Se ele for para o segundo turno presidencial, parte de sua base pode votar em Portinho ou Jordy por alinhamento ideológico. Se não, o voto pode dispersar entre Crivella, Pedro Paulo ou até Benedita.

Por fim, acompanhe as prestações de contas parciais no site do TSE. O volume de recursos autodeclarados e a origem dos doadores sinalizam quais candidaturas têm musculatura para chegar competitivas na reta final. O Senado não perdoa amadorismo — e os próximos oito anos do Rio começam a ser desenhados agora.