Mais de 9,5 mil candidatos encaram neste domingo (27) a primeira fase do vestibular 2027 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. São 200 vagas no total: a relação bruta beira 48 candidatos por cadeira. Mas o número real de concorrentes efetivos é outro — e muda completamente a estratégia de quem quer passar.
A prova começou às 13h em 25 cidades simultâneas. Matemática, Física, Química e Inglês compõem as 48 questões de múltipla escolha que definem quem avança para as dissertativas. O gabarito sai nos próximos dias, mas a verdadeira seletiva começa agora.
O tamanho real do funil
Dos 9.531 inscritos, 1.862 são “treineiros” — estudantes que fazem a prova apenas para testar conhecimentos, sem concorrer às vagas. Retirando esse grupo, a disputa real cai para 7.669 candidatos. A concorrência efetiva, portanto, gira em torno de 38 por vaga. Ainda brutal, mas bem diferente do manchete.
A distribuição das vagas segue o edital: 140 para ampla concorrência, 50 para cotistas (pretos ou pardos), 6 para indígenas e 4 para quilombolas. Cada categoria tem sua própria curva de corte, o que exige leitura atenta do termo de adesão na hora da inscrição.
Onde a batalha é mais acirrada
A concentração de inscritos não é uniforme. Três polos concentram quase metade dos candidatos reais. Veja os maiores volumes:
- Fortaleza (CE): 1.765 inscritos
- São Paulo (SP): 1.255 inscritos
- Rio de Janeiro (RJ): 925 inscritos
- São José dos Campos (SP): 892 inscritos (sede do ITA)
- Belo Horizonte (MG): 373 inscritos
Cidades menores, como São Luís (MA) com 87 inscritos ou Vitória (ES) com 188, tendem a ter menos disputa logística no dia da prova, mas a nota de corte é nacional — o local de prova não altera o ranking final.
Perfil da turma: disparidade de gênero persiste
O vestibular do ITA mantém um desequilíbrio histórico. Dos inscritos totais, 7.787 são do sexo masculino contra 1.744 do sexo feminino. A proporção de aproximadamente 4,5 homens para cada mulher reflete um desafio estrutural da engenharia aeroespacial brasileira que as cotas e programas de incentivo ainda não conseguiram inverter.
Essa assimetria impacta diretamente as notas de corte por cota. Em categorias com menos inscritas, a pontuação mínima para classificação costuma ser inferior à ampla concorrência, abrindo janelas estratégicas para candidatas bem preparadas.
A maratona até janeiro de 2027
A prova de hoje é apenas a porta de entrada. A segunda fase, com questões dissertativas das mesmas quatro disciplinas, está marcada para os dias 20 a 23 de outubro. Apenas os habilitados nessa etapa serão convocados para a terceira fase, em janeiro de 2027, nas dependências do ITA em São José dos Campos.
O cronograma apertado exige gestão de tempo imediata. Quem passar para a segunda fase terá menos de um mês para migrar da resolução de testes para a argumentação matemática e física rigorosa que o ITA exige. A preparação para a etapa dissertativa deve começar antes da divulgação do resultado da primeira.
O que observar daqui para frente
O gabarito oficial da primeira fase será a primeira métrica concreta. Compare sua performance com as notas de corte dos anos anteriores — disponíveis no site do ITA — para dimensionar suas chances reais de avançar. Fique atento também à convocação para a segunda fase: a lista costuma sair em meados de outubro, dando pouca margem para deslocamento caso seu polo de prova seja diferente da cidade de residência. O calendário não perdoa atrasos.
