Educação

Eleição RJ: 9 planos para salvar a educação — o que ninguém te contou

Estudantes em escola pública do Rio de Janeiro com materiais didáticos, representando crise educacional
Alunos em sala de aula no RJ: estado tem dívida de R$ 2,7 bi e piores índices do país no ensino médio

O Rio de Janeiro carrega uma dívida de R$ 2,7 bilhões com a própria educação e figura entre os piores desempenhos do país no ensino médio. Nove candidatos disputam o Palácio Guanabara com receitas que vão de aprendizagem remunerada a estatização total do ensino. A diferença entre o discurso e a execução, porém, pode definir o futuro de milhões de alunos.

Os números do último Ideb expõem a emergência: 6,1 nos anos iniciais (média nacional 6,3) e 5,1 nos finais (média 5,3). No ensino médio, o estado amarga as últimas posições. Para completar, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2023 obriga o próximo governo a recompor o investimento constitucional até 2042. Quem vencer herda a conta e o cronograma.

O modelo “escola-empresa” e a aposta na tecnologia

André Marinho (Novo) propõe o “Aprendiz Rio”: 200 mil jovens de 15 a 18 anos dividindo a semana entre sala de aula (três dias) e empresas (dois dias) com carteira assinada e salário de até R$ 1,2 mil. A meta inclui letramento universal em inteligência artificial até 2030 e busca ativa familiar em 72 horas após a falta do aluno. Na infraestrutura, a aposta é energia solar via PPP para reinvestir a economia na rede. Não há prazo para o modelo “Escola 18h” nem plano de carreira docente detalhado.

Douglas Ruas (PL) foca em gestão por resultados no “Plano do Rio Real”. Climatização, internet de qualidade e reforço de merenda são a base. O diferencial é o bônus por metas de aprendizagem para professores e diretores, além de diagnóstico individual no ingresso do ensino médio com reforço em português e matemática. Em áreas retomadas do crime, prevê “complexos de cidadania” com ensino integral noturno. Não fixa meta numérica de expansão do tempo integral.

Valorização salarial e ensino integral regionalizado

Anthony Garotinho (Republicanos) estrutura o “Geração Fluminense” da creche ao primeiro emprego. Promete climatização e modernização de 100% das unidades, pacto por vagas em creches municipais e cumprimento rigoroso do piso nacional com atualização de carreira. A formação continuada inclui IA e metodologias ativas em academia permanente. O ensino integral propõe jornada de 8 a 9 horas com educação financeira, empreendedorismo e o “Geração Tech” alinhado às vocações econômicas regionais. Faltam prazos e metas de expansão.

Coronel Busnello (Missão) prioriza recuperar o existente em vez de construir. O carro-chefe é internet de alta velocidade em 100% das escolas até o fim do segundo ano. Para docentes, propõe adequação ao piso (citado como R$ 5.130,63 para 2026) em cronograma plurianual, novo plano de cargos e bonificação por metas. O “RJ Técnico” regionaliza o ensino médio e prevê expandir o integral aproveitando os mais de 500 CIEPs ociosos, sem meta numérica definida.

A aposta na reestruturação da rede técnica

Eduardo Paes (PSD) insere a educação em uma reorganização administrativa ampla. Reconhece o sucateamento, mas não detalha reformas físicas. O eixo central é a reestruturação da FAETEC para expandir o ensino médio profissionalizante integral conforme vocações regionais. Promete repasses constitucionais regulares aos 92 municípios e apoio à inclusão de autistas. Não há metas de vagas, prazos para a FAETEC nem proposta salarial específica para professores.

Ruptura, investimento público e fim das terceirizações

William Siri (PSOL) apresenta o plano mais detalhado em metas físicas: teto de 30 alunos por sala, climatização e acústica em todas as salas, merenda 100% agroecológica (50% da agricultura familiar). Quer 30 CIEPs em tempo integral já no primeiro ano e triplicar matrículas técnicas via FAETEC. Para professores, defende plano de carreira unificado, piso anual, data-base regulamentada e 1/3 da jornada para extraclasse. Combate à evasão prevê renda básica estudantil (CadÚnico), café da manhã, jantar, transporte grátis e equipes de psicólogos e assistentes sociais.

Juliete Pantoja (UP) mira a universalização: reabrir escolas fechadas, construir novas e erradicar analfabetismo em um ano. Propõe ensino integral em 100% da rede estadual até 2030, fim do repasse público a instituições privadas, plano de carreira unificado (básica, técnica e superior) e concursos para acabar com temporários. Inclui auxílio-permanência, passe livre intermunicipal e volta da EJA noturna. Não define prazo para os concursos.

Propostas estruturais de mudança de regime

Cyro Garcia (PSTU) condiciona a expansão — escolas e creches em favelas e subúrbios, universidades estaduais em todas as regiões — à taxação de grandes fortunas. Defende fim das terceirizações com efetivação dos atuais, prioridade de pagamento de servidores sobre dívida e mais recursos para UERJ, UENF e FAETEC. Pede suspensão imediata do Novo Ensino Médio, rejeita escolas cívico-militares e prevê creches públicas em tempo integral, sem metas para fundamental e médio.

Luan Monteiro (PCO) propõe estatização total do ensino pago e fim dos vestibulares com livre ingresso nas universidades. O financiamento viria da nacionalização do petróleo e da Petrobras. Para professores, piso de R$ 8,5 mil e jornada máxima de 30 horas. Inclui eleições diretas para direção de escola, revogação de reformas pós-2016 e fim da proibição de celulares. Não apresenta projetos de infraestrutura ou metas de construção.

O que observar daqui para frente

O próximo governador herdará a obrigação legal de pagar parcelas anuais do TAC até 2042, o que comprime o orçamento discricionário. Promessas de climatização universal, internet de ponta e expansão massiva do tempo integral exigem capital de giro que o estado hoje não tem sem renegociar dívidas ou ampliar receitas. O eleitor deve comparar: quem apresenta cronograma físico-financeiro compatível com o fluxo de caixa real e quem depende de variáveis externas — como verba federal ou arrecadação incerta — para tirar o papel do plano de governo.