Justiça

Carga de café avaliada em R$ 1,1 mi é recuperada no Sertão; três vão presos

Policias inspecionam sacas de café recuperadas em operação no Sertão de Pernambuco
Carga de 23,4 toneladas de café avaliada em R$ 1,1 milhão recuperada pela polícia em Petrolina.

Uma operação integrada entre polícias de Pernambuco e do Piauí desmontou um esquema de receptação de cargas roubadas e tirou de circulação 23,4 toneladas de café — mercadoria avaliada em R$ 1.100.465,55. Três pessoas foram autuadas em flagrante na sexta-feira (25) em Petrolina, no Sertão pernambucano.

O golpe logístico começou na BR-407, na divisa entre os dois estados. A partir dali, a investigação cruzou imagens, rastreou veículos e mapeou o destino da carga. O desfecho revela como o crime organizado atua nas rotas do agronegócio — e por que a resposta interestadual se torna indispensável.

Como a investigação chegou ao galpão

O roubo da carreta carregada acionou troca imediata de inteligência entre a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) e forças de segurança piauienses. Analistas examinaram gravações de câmeras de monitoramento e dados de telemetria, identificando os veículos de apoio usados na abordagem.

Com a placa dos suspeitos em mãos, as equipes monitoraram o deslocamento até um galpão no bairro Portal da Cidade. Lá, a carga estava armazenada, pronta para ser redistribuída. A ação conjunta evitou que o produto entrasse no mercado paralelo — prejuízo direto para produtores, exportadores e seguradoras.

O que foi apreendido além do café

  • 1 caminhão-trator
  • 1 semirreboque
  • 1 veículo de apoio
  • Celulares dos envolvidos
  • R$ 1.250 em espécie

Os três detidos responderão por receptação qualificada e associação criminosa. Foram encaminhados à 12ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico (DPRN), vinculada ao DENARC. A escolha da unidade não é aleatória: rotas de café e de entorpecentes costumam compartilhar logística, modus operandi e, muitas vezes, os mesmos operadores.

Impacto na cadeia logística do café

O Brasil é o maior exportador global do grão. Em 2023, o país embarcou mais de 39 milhões de sacas — e o roubo de cargas nas rodovias federais cresceu dois dígitos percentuais nos últimos dois anos, segundo dados do setor segurador. Cada tonelada desviada encarece prêmios de seguro, retarda embarques e pressiona contratos futuros.

Especialistas em segurança patrimonial apontam que galpões em cidades-polo como Petrolina funcionam como “lavanderias” de mercadoria ilícita: a carga chega, é fracionada e segue para centros de distribuição legítimos com nota fiscal fria. A apreensão de veículos e celulares abre caminho para rastrear a rede completa — do roubo na estrada até o comprador final.

O que observar daqui para frente

A investigação segue em aberto para prender os autores do roubo na BR-407 — etapa mais violenta e complexa da cadeia. Para empresários do agronegócio e gestores de risco, o caso reforça três vetores de mitigação: telemetria em tempo real com alerta de desvio de rota, escolta armada em trechos críticos da BR-407 e due diligence rigorosa em armazéns terceirizados no Sertão.

O café recuperado volta ao dono. A rede criminosa, porém, tende a se reorganizar. Acompanhar os desdobramentos da 12ª DPRN é o termômetro mais confiável para saber se a pressão interestadual será sustentada — ou se o próximo roubo apenas mudará de endereço.