A vice-presidente de marketing do Grupo Boticário, Renata Gomide, estreia como colunista do C-Level nesta sexta-feira (25). A executiva trará para a página a experiência de quem comanda a área de Consumer — responsável por inteligência de mercado, produto, precificação e fidelização de uma das maiores redes de beleza do mundo.
Mas o diferencial não está apenas no cargo. Gomide carrega uma bagagem que foge do manual corporativo padrão: maratonista, mãe de duas meninas e uma líder que aprendeu na prática a equilibrar alta performance com saúde mental. O que ela vai revelar sobre o futuro do marketing e da gestão?
A insegurança que virou propósito de liderança
A trajetória até a vice-presidência passou por um momento de ruptura pessoal. Em 2015, um dia antes de receber a proposta para assumir a comunicação da Eudora, Renata descobriu a primeira gravidez. A reação imediata foi medo: aceitar a oportunidade ou priorizar a gestação?
Ela aceitou o desafio. Hoje, mãe de Pietra (12) e Sofia (8), a executiva resume a lição: não existe equilíbrio perfeito, apenas escolhas e ajustes constantes. “Já houve momentos em que precisei dedicar mais energia ao trabalho e outros em que a prioridade foi estar presente para minhas filhas”, afirma.
Essa vivência moldou uma cobrança interna forte: criar ambientes onde nenhuma mulher precise optar entre a carreira e a maternidade. Para ela, liderar é garantir que a insegurança que sentiu não se repita nas novas gerações.
Maratona, diversidade e o fim da cultura da exaustão
Corredora de longas distâncias, Gomide transporta a lógica da maratona para a gestão de times. A metáfora é direta: performance sustentável exige ritmo, recuperação e equipe heterogênea. Ela defende a formação de grupos com repertórios e perspectivas distintos como antídoto para o pensamento único.
A visão de diversidade vai além do discurso. “Significa reconhecer que as condições de partida nem sempre são iguais e que uma empresa pode contribuir para mudar determinadas estruturas”, explica. Na prática, isso se traduz em políticas que evitam transformar alta performance em sinônimo de burnout.
Os três eixos que vão ditar o conteúdo da coluna
A estreia marca o início de uma cobertura mensal focada nas dores reais de quem decide. Gomide antecipou os temas centrais que deve abordar nos próximos textos:
- IA na jornada do consumidor: como a inteligência artificial está redesenhando a descoberta e a decisão de compra.
- Marca sem ego executivo: estratégias para construir identidades que espelhem o cliente, não o gosto pessoal de quem aprova a campanha.
- Times de alta performance sadia: modelos de gestão que entregam resultado sem normalizar a exaustão como mérito.
Credenciais que sustentam a voz
A autoridade para falar desses temas vem de uma base técnica sólida e reconhecimento do mercado. Formada em Administração pela Faap e em Marketing pela ESPM, com MBA em Gestão Estratégica pela FGV, Renata acumula 13 anos de Grupo Pão de Açúcar e passagens pela Quem Disse, Berenice? antes de chegar ao Boticário.
O currículo de premiações recentes reforça o peso da voz: Profissional de Marketing do Ano pelo Propmark (2022), homenageada no Women to Watch (2023) e vencedora do Caboré na mesma categoria em 2024. Também figurou na lista da Forbes das Mulheres Mais Poderosas do Brasil.
O que observar daqui para frente
A coluna nasce num momento em que o varejo de beleza testa os limites da personalização em escala e da automação criativa. Acompanhar a análise de quem opera na ponta — gerindo orçamentos milionários e times de centenas de pessoas — oferece um termômetro real para investidores e gestores de outros setores.
O primeiro texto vai ao ar no site do C-Level nesta sexta (25) e na edição impressa de sábado (26). Vale a leitura para entender como uma das cabeças mais premiadas do marketing nacional está traduzindo a teoria da sala de reunião para a prática da esteira de corrida.
