O debate da NSC TV com candidatos ao Senado por Santa Catarina atravessou a madrugada deste sábado (26) e expôs rachas profundos entre os postulantes. Com duas cadeiras vazias no palco, o confronto girou em torno do escândalo do Banco Master e de um embate direto sobre o STF.
Cinco candidatos compareceram, mas a ausência dos representantes do PL ditou o ritmo das primeiras horas. O que parecia um encontro protocolar virou arena de acusações cruzadas.
As cadeiras vazias que falaram mais alto
Carol de Toni (PL) confirmou presença, mas não apareceu. Carlos Bolsonaro (PL) sequer respondeu ao convite. A ausência da dupla virou alvo unânime entre os presentes.
Esperidião Amin (PP) resumiu o sentimento do plenário: quem foge do debate, foge do eleitor. Jeferson Rocha (PRD) questionou a legitimidade de Carlos Bolsonaro por não ser natural do estado. Afrânio Boppré (PSOL) cobrou isenção ao criticar apenas um lado.
- Participaram: Afrânio Boppré (PSOL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD) e Lunelli (MDB).
- Ausentes: Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL).
- Formato: Três blocos, perguntas livres e temas sorteados, mediação de Raphael Faraco.
Mas o efeito mais relevante aparece quando o microfone abre para as denúncias financeiras.
Banco Master e INSS: O fio condutor da corrupção
O escândalo do Banco Master e os descontos indevidos em aposentadorias do INSS permearam todos os blocos. O tema serviu de munição para ataques diretos e defesas de legenda.
Décio Lima (PT) pressionou Lunelli (MDB) sobre o caso. A resposta veio dura: prisão para todos os envolvidos. Amin (PP) foi confrontado por Jeferson Rocha (PRD) sobre o voto de Nicolau Dino, irmão do ministro Flávio Dino, no STF, que beneficiou o procurador Paulo Gonet em processos ligados ao banco.
Amin defendeu as emendas parlamentares como instrumentos legítimos de representação estadual. Boppré (PSOL) contra-atacou classificando o mecanismo como escândalo. O acordo geral? Combate à impunidade, mas divergência total sobre o método.
Segurança pública: Enquadrar facções como terroristas?
No bloco de temas sorteados, a segurança dominou. A criação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) apareceu em duas frentes opostas.
Rocha (PRD) concordou com a integração, mas defendeu o enquadramento de facções como organizações terroristas. Lunelli (MDB) replicou exigindo fortalecimento policial e prisão de lideranças. Boppré (PSOL) focou na aprovação da PEC da Segurança.
O orçamento secreto também surgiu. Amin perguntou a Décio Lima sobre as decisões do STF. O petista devolveu a responsabilidade ao Executivo federal. A sensação deixada é a de que o Senado terá poder limitado para estancar a sangria sozinho.
Economia real: Rodovias, escala 6×1 e o fim das bets
O segundo bloco trouxe o bolso do catarinense para o centro. A infraestrutura das BRs 101, 280 e 470 virou disputa entre Lunelli e Rocha. A solução passa, segundo Rocha, por uma revisão tributária que retenha mais impostos no estado.
Sobre o fim da jornada 6×1, Amin considerou o debate necessário, mas condicionou a mudança a investimentos em tecnologia. Lunelli e Rocha concordaram: setores vitais da economia catarinense sofreriam impacto imediato com a redução da jornada.
O fim das bets, anunciado horas antes, uniu críticas ao endividamento popular. Lunelli citou inflação e descontrole econômico. Décio Lima mirou na saúde: falta de remédios no SUS exige mais verbas e atenção básica.
O clímax na madrugada: Amin versus Boppré
O momento mais tenso ocorreu no fim do segundo bloco. Amin pressionou Boppré sobre eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF).
Boppré recusou a armadilha: não tenho rabo preso com ninguém. Contra-atacou citando Ciro Nogueira, presidente do PP (partido de Amin), no escândalo do Banco Master. Acusou o adversário de passar pano.
A réplica de Amin foi seca: classificou a fala como leviana e exigiu que Boppré parasse de apontar o dedo. O psolista finalizou: você não tem autoridade moral para me dar ordens. O microfone foi cortado, mas o racha ideológico ficou exposto.
Direitos sociais: Maioridade, ruas e violência contra a mulher
O terceiro bloco sorteou temas sensíveis. Amin e Décio Lima divergiram sobre a redução da maioridade penal. O progressista defendeu análise por gravidade e circunstância. O petista propôs ampliar medidas socioeducativas com foco na reinserção.
Sobre população em situação de rua, Boppré exigiu respaldo médico para internações e criticou truculência municipal. Rocha trouxe o dado duro: 85% dos brasileiros endividados empurram gente para a calçada. A tréplica pediu políticas estruturantes, não paliativos.
Na infraestrutura, Boppré acusou o governo estadual de virar as costas à União. Lunelli rebateu: o pacto federativo prejudica SC no retorno de impostos. Reformular esse pacto é bandeira comum, mas a execução divide.
Por fim, a violência contra a mulher. Amin classificou o quadro em SC como epidemia e lembrou ter criado a primeira delegacia especializada em 1984. Décio Lima contrapôs: faltam delegacias 24 horas no estado.
O que observar daqui para frente
O debate mostrou que a corrida ao Senado em Santa Catarina não tem favorito consolidado. As ausências do PL podem custar caro nas urnas ou mobilizar o eleitorado de direita pela vitimização.
Fique atento aos próximos passos: a divulgação de pesquisas de intenção de voto pós-debate, o posicionamento do TRE-SC sobre as ausências não justificadas e a repercussão do embate Amin x Boppré nas redes sociais. O eleitor catarinense viu, na madrugada, o retrato fiel de um Congresso fragmentado. A escolha em outubro será entre projetos de poder radicalmente opostos.
