O Goldman Sachs acaba de revelar uma cesta de 30 ações brasileiras desenhada para capturar o maior potencial de valorização caso os juros de curto prazo desabem após as eleições. A estratégia ignora o EWZ — o ETF mais usado por estrangeiros — e aposta em papéis que, em ciclos passados de corte de taxa, renderam o triplo do Ibovespa.
Por que isso importa agora? Porque o posicionamento global na Bolsa brasileira está no piso histórico, mas a assimetria de retorno nunca esteve tão favorável.
O que os grandes gestores estão escondendo
Uma pesquisa do banco com cerca de 70 investidores institucionais estrangeiros expõe um paradoxo: ações brasileiras são a classe de ativo menos alocada nas carteiras, mas a que oferece o maior upside percebido. Sessenta por cento dos participantes declararam exposição “leve” ou “muito leve”. Metade projeta alta de pelo menos 20% no EWZ até dezembro.
Nelson Armbrust, head de intermediação para América Latina, resume: “O posicionamento está baixo, mas a assimetria é alta”.
A cesta que venceu o Ibovespa por 3 a 1
Batizada de GSBZRATE, a carteira reúne ações líquidas com forte correlação inversa ao título de 5 anos — ou seja, sobem quando o juro cai. Criada em outubro de 2024, gira cerca de US$ 750 milhões por dia. A última rebalanceamento ocorreu em maio.
O banco excluiu da comparação histórica os períodos de corte motivados por recessão. Mesmo assim, o índice teve bom desempenho. O foco são janelas onde o mercado antecipa afrouxamento monetário sem colapso econômico.
Setor financeiro comanda a embarcação
Quase 38% da cesta concentram-se em bancos e serviços financeiros. Os pesos foram calibrados para evitar concentração excessiva. Confira os principais nomes:
- XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e Itaúsa (ITSA4) — maiores posições
- B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4)
- Inter (INBR32) e ABC Brasil (ABCB4) completam o bloco
O raciocínio é direto: juros altos por tempo prolongado corroem balanços e lucros de negócios intensivos em capital. A queda da taxa devolve margem e alavanca resultados.
Indústria, shoppings e utilities completam a aposta
O segundo maior bloco mistura industriais e imobiliário. No primeiro grupo, Localiza (RENT3), Ecorodovias (ECOR3), Movida (MOVI3) e Simpar (SIMH3). No segundo, administradoras de shoppings: Allos (ALOS3), Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTI11), JHSF (JHSF3) e Moura Dubeux (MDNE3).
Utilities aparecem com Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3) e Auren (AURE3). Fecham a lista Cosan (CSAN3), incorporadoras Direcional (DIRR3) e EZTec (EZTC3), além de CSN (CSNA3), CSN Mineração (CMIN3) e Dexco (DXCO3).
O que o mercado precifica para os próximos meses
Conversas de Armbrust com investidores apontam expectativa de queda entre 200 e 300 pontos-base nos juros de 2 anos até o fim do ano — com risco de recuo ainda mais agressivo. Esse cenário, se confirmado, ativa justamente a sensibilidade embutida na GSBZRATE.
Enquanto isso, o Ibovespa anda de lado em setembro. Mesmo com entrada líquida de R$ 9,6 bilhões de estrangeiros na B3 até o dia 21, o índice fechou a quinta-feira a 183.965 pontos, queda de 0,99% no dia.
O que observar daqui para frente
A tese do Goldman não depende de quem vença a eleição, mas da velocidade com que o mercado precificará o ciclo de cortes. Dois gatilhos merecem monitoramento: a ata do Copom nas próximas semanas e a sinalização fiscal do novo governo. Se a curva de juros curtos inclinar para baixo com convicção, a cesta GSBZRATE tende a capturar o movimento antes que o Ibovespa reaja. Para quem busca beta alto ligado à taxa de juros — não ao ruído eleitoral —, o banco considera esse o veículo mais eficiente hoje.
