Ronaldo Caiado (PSD) usou o próprio aniversário de 77 anos, nesta sexta-feira (25), para percorrer o coração produtivo de Goiás. A agenda não foi festiva: o pré-candidato à Presidência desenhou, em três cidades estratégicas, o esboço do que pode vir a ser sua plataforma para o agronegócio em 2026.
O roteiro incluiu Quirinópolis, Itumbiara e Catalão — polos que concentram grãos, pecuária e mineração. A recepção com carreata e bolo de aniversário serviu de pano de fundo para promessas técnicas focadas em endividamento, seguro rural e previsibilidade orçamentária.
Três pilares para destravar o campo
Em Itumbiara, na divisa com Minas Gerais, Caiado detalhou a tríade que pretende levar ao Planalto. A fala foi direta, sem rodeios ideológicos, mirando a dor atual do produtor:
- Endividamento: Promete replicar em escala nacional a renegociação de dívidas que conduziu em Goiás.
- Seguro rural: Defende a expansão do mecanismo como ferramenta de garantia de renda, não apenas de safra.
- Plano plurianual setorial: Propõe horizonte de médio prazo para que o investidor tenha segurança jurídica e previsibilidade de custos.
O peso econômico do corredor visitado
A escolha das cidades não foi aleatória. Quirinópolis e Itumbiara estão entre os maiores produtores de grãos e carne do Centro-Oeste. Catalão adiciona a variável mineral, com forte presença de nióbio e fosfato. Juntas, elas representam uma fatia relevante do PIB goiano e do saldo da balança comercial brasileira.
Para o empresariado local, a sinalização de um “plano plurianual” soa como música. A ausência de regras estáveis para crédito rural e tributação de insumos tem travado decisões de expansão de planta e compra de máquinas nos últimos ciclos.
Gestão estadual como vitrine nacional
O discurso do governador-pré-candidato apoia-se no currículo administrativo. Em Goiás, o governo estadual renegociou passivos de produtores junto a agentes financeiros e ampliou o aporte ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. Caiado argumenta que a receita é escalável.
Críticos, porém, apontam que a capacidade de intervenção de um governador sobre bancos estaduais e fundos constitucionais regionais não se replica automaticamente na Presidência, onde o Banco Central e o Congresso ditam o ritmo.
O que observar daqui para frente
A agenda de sexta-feira funcionou como teste de palanque e laboratório de propostas. O próximo passo do eleitorado do agronegócio — e dos investidores que financiam a cadeia — será comparar a retórica de “já resolvi no passado” com a viabilidade legislativa e orçamentária de um eventual mandato federal.
Fique atento à tramitação do próximo Plano Safra e às discussões sobre a reformulação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). São nesses fóruns técnicos que as promessas de palanque ganham ou perdem lastro real.
