Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (25) coloca Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico na disputa presidencial em Minas Gerais, mas a simulação de segundo turno inverte a vantagem. O cenário expõe a fragilidade das duas maiores forças políticas do país no estado que historicamente decide a eleição.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. Os números mostram um eleitorado minerado que, diferentemente de 2022, ainda não definiu lado.
Primeiro turno: a foto do momento
No cenário estimulado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscila de 37% para 39%. Flávio Bolsonaro (PL) sobe de 35% para 37%. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro. Na prática, significa empate.
- Lula (PT): 39%
- Flávio Bolsonaro (PL): 37%
- Augusto Cury (Avante): 5%
- Romeu Zema (Novo): 4%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3%
Os demais nomes somam 1% ou menos. Brancos, nulos e indecisos caíram de 10% para 8%, sinal de que o eleitor começa a prestar atenção.
O giro no segundo turno
O dado mais relevante para estrategistas está na simulação de runoff. Flávio Bolsonaro aparece com 46% contra 44% de Lula. Em setembro, o petista liderava por 46% a 45%. A inversão ocorreu mesmo com a estabilidade dos índices de rejeição.
Isso sugere que o voto anti-PT em Minas continua mais transferível do que o voto anti-Bolsonaro. A capilaridade do bolsonarismo no interior do estado segue como ativo decisivo.
O termômetro que não falha
Desde a redemocratização, nenhum candidato chegou ao Planalto sem vencer em Minas. Em 2022, a margem foi de 0,42 ponto percentual — 50,21% a 49,79%. A eleição nacional foi decidida por 1,8 ponto.
Portanto, a oscilação mineira costuma antecipar o humor nacional. Hoje, o Datafolha nacional mostra Lula com 40% e Flávio com 36%. A diferença de três pontos no cenário federal some dentro da margem de erro quando o recorte é mineiro.
Aprovação e avaliação: o freio no governo
O governo Lula é reprovado por 51% dos mineiros (eram 50%). A aprovação sobe de 45% para 46%, variação irrelevante. Na avaliação qualitativa, “ruim/péssimo” lidera com 41%, contra 35% de “ótimo/bom”. O “regular” estaciona em 22%.
Esse cenário de avaliação negativa majoritária, porém sem colapso, explica por que Lula se mantém competitivo no primeiro turno, mas perde fôlego no mano a mano.
O vácuo do centro e o fator Zema
Romeu Zema (Novo) registra 4%, metade do que tinha em pesquisas nacionais anteriores. Augusto Cury (Avante) segura 5%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 3%.
A fragmentação de centro-direita beneficia Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas cria incerteza sobre a capacidade de agregação no segundo. Se Zema e Caiado não decolam, seus eleitores migram para o senador do PL ou anulam.
O que observar daqui para frente
Três variáveis mudam o jogo até 2026: a definição da candidatura de Flávio (ainda sujeita a inelegibilidade do pai), a entrada ou não de Zema na disputa nacional e a economia real — inflação e emprego — no estado que concentra o segundo maior colégio eleitoral do país. O próximo Datafolha em Minas deve sair no primeiro semestre. Até lá, o empate técnico é o único fato consumado.
