Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (25) coloca Flávio Bolsonaro (PL) na frente da corrida presidencial de 2026 no Distrito Federal com 41% das intenções de voto estimuladas. O dado que muda o jogo, porém, aparece no confronto direto: Lula (PT) venceria o senador no segundo turno por 51% a 41%.
O levantamento, encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, ouviu 910 eleitores entre 22 e 24 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais. O cenário expõe uma fragilidade estratégica da oposição na capital federal.
O mapa do primeiro turno: polarização consolidada
No cenário estimulado, a disputa se resume a dois nomes. Flávio Bolsonaro oscilou positivamente um ponto (40% para 41%), enquanto Lula subiu dois (32% para 34%). Juntos, somam 75% das preferências, deixando pouco espaço para alternativas.
Os demais pré-candidatos patinam na casa de um dígito:
- Ronaldo Caiado (PSD): 9% (era 8%)
- Augusto Cury (Avante): 4% (era 6%)
- Renan Santos (Missão): 3% (estável)
- Romeu Zema (Novo): 1% (estável)
Brancos, nulos e indecisos somam parcelas residuais, sinalizando que o eleitorado do DF já tem side definido. A entrada de Leonardo Avalanche (PRTB), substituto de Pablo Marçal, não registrou tração.
O efeito reverso no segundo turno
É aqui que a leitura de risco político muda de figura. Testado o mano a mano, Lula abre dez pontos de vantagem (51% a 41%). O presidente manteve seus 51%, mas Flávio Bolsonaro cresceu dois pontos na simulação anterior (39% para 41%), insuficiente para fechar a lacuna.
O movimento sugere teto de transferência de votos anti-PT no DF. Eleitores de Caiado, Cury e Zema não migram automaticamente para o nome do PL na etapa final. Para analistas de risco, isso indica que a direita precisará de palanque único muito antes da convenção para ser competitiva na capital.
Avaliação do governo: o termômetro do voto
Os números de aprovação explicam a dinâmica do segundo turno. A reprovação ao governo federal caiu dois pontos (58% para 56%), enquanto a aprovação subiu um (38% para 39%). Na avaliação qualitativa, “ruim/péssimo” recuou de 51% para 49%, e “ótimo/bom” subiu de 26% para 27%.
O DF segue majoritariamente crítico à gestão, mas a erosão lenta da rejeição cria chão para a reeleição. O eleitorado “regular” (23%) funciona como reservatório de votos decisivo no runoff.
Reflexos locais: Celina, Senado e o xadrez de 2026
A pesquisa trouxe radiografia do tabuleiro distrital. Para o governo do DF, Celina Leão (PP) aparece com 42% contra 23% de Leandro Grass (PV) e 7% de Paula Belmonte (Cidadania). A vice-governadora consolida favoritismo caso dispute a reeleição.
Na corrida pelo Senado, Michelle Bolsonaro (PL) lidera com 22%, seguida por Leila Barros (PDT) com 19%. Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) empatam com 15%. A fragmentação da direita na chapa majoritária pode custar a segunda vaga.
O que observar daqui para frente
O registro da pesquisa (DF-01888/2026 e BR-06769/2026) garante validade estatística, mas o cenário é fluido. Três variáveis merecem monitoramento contínuo por quem precifica ativos de risco Brasil:
- Unificação da oposição: Se Caiado ou Zema abrirem mão em favor de Flávio, o teto do PL sobe.
- Economia real: Inflação e renda no DF ditam a curva de aprovação de Lula no curto prazo.
- Judicialização: Inelegibilidade de Jair Bolsonaro e eventuais questionamentos a Flávio alteram o tabuleiro da noite para o dia.
Para o investidor, o recado é claro: o DF continua sendo um termômetro sensível da polarização, mas o segundo turno revela um colchão de votos para o atual presidente que a simples leitura do primeiro turno esconde. Ajuste seus modelos de cenário considerando runoff, não apenas top de urna.
