Justiça

PF e Civil investigam invasão no TJMT: sistemas parados, senhas expostas e prazos suspensos

Sede do TJMT com alerta cibernético e logotipos da PF e Civil investigando invasão ao PJe
Fachada do TJMT em Cuiabá durante apuração de ataque hacker que derrubou o PJe e expôs senhas

A Polícia Federal e a Polícia Civil abriram inquérito para apurar a invasão aos sistemas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que deixou o Processo Judicial Eletrônico (PJe) e demais plataformas fora do ar desde a segunda-feira (21). Logins e senhas de usuários foram acessados, embora o tribunal afirme não haver indícios de vazamento de dados pessoais ou de decisões sigilosas. Na sexta-feira (25), o atendimento externo seguia restrito ao regime de plantão e os prazos processuais continuavam suspensos.

O que se sabe até agora sobre a extensão do ataque

A confirmação do acesso indevido às credenciais elevou a gravidade do incidente. A investigação corre na Delegacia Especializada em Crimes Informáticos (Deciber) e ganhou a PF porque a infraestrutura comprometida conecta-se aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo o TJMT, a situação está “sob controle” e equipes técnicas — internas e de parceiros externos — trabalham na recuperação. Como medida preventiva, todos os sistemas foram desligados e as senhas dos usuários estão sendo redefinidas em massa.

Impacto direto na rotina de advogados, partes e servidores

A paralisação atinge a ponta operacional do Judiciário estadual. Enquanto o PJe não volta, ficam impossibilitados:

  • Protocolos de petições e recursos;
  • Consulta a andamentos processuais;
  • Emissão de certidões e guias;
  • Realização de audiências virtuais;
  • Cumprimento de prazos processuais eletrônicos.

Uma portaria da Presidência do tribunal formalizou a suspensão dos prazos, evitando prejuízos processuais enquanto a indisponibilidade persistir.

Cenários criminais: do artigo 154-A a possíveis desdobramentos

A invasão de dispositivo informático está tipificada no Art. 154-A do Código Penal, com pena de 1 a 4 anos de reclusão e multa. A Deciber alerta, contudo, que acessos não autorizados costumam servir de porta de entrada para outros delitos:

  • Roubo ou exposição de informações sensíveis;
  • Acesso indevido a contas de terceiros;
  • Extorsão digital (ransomware ou ameaça de vazamento).

A identificação de quais crimes efetivamente ocorreram depende da perícia técnica em andamento.

Cronologia resumida do incidente

  • Segunda (21): Falha detectada; manutenção emergencial iniciada.
  • Terça a quinta (22 a 24): Sistemas off-line; acionamento da Deciber e da PF.
  • Sexta (25): Atendimento só em plantão; prazos suspensos; testes de restauração em curso.

O que observar nos próximos dias

A prioridade do tribunal é restabelecer o PJe e os sistemas administrativos de forma gradual, garantindo integridade antes de reabrir o acesso geral. Advogados e partes devem acompanhar os canais oficiais do TJMT para atualizações sobre a normalização dos prazos e do atendimento presencial. A conclusão do inquérito policial ditará se houve apenas intrusão exploratória ou se dados foram efetivamente extraídos — diferença que muda radicalmente a responsabilidade civil e administrativa do órgão.