Economia

Você não vai acreditar onde os presidenciáveis estão hoje (25/09)

Mapa do Brasil com rotas dos 11 pré-candidatos à Presidência em 25/09, destacando Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste
A geografia das agendas presidenciais desta sexta revela o xadrez eleitoral de 2026.

A sexta-feira (25) ferve com movimentos estratégicos de 11 pré-candidatos à Presidência; o mapa das visitas revela muito mais do que simples compromissos de campanha — expõe onde cada projeto aposta suas fichas para 2026.

Enquanto a maioria acompanha apenas os números das pesquisas, a geografia da agenda de hoje desenha o xadrez real de poder: agronegócio no Centro-Oeste, indústria no Sudeste, base popular no Nordeste. Três nomes, no entanto, optaram pelo silêncio total.

O eixo Nordeste–Sudeste: símbolo e capital

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre a agenda mais simbólica do dia. A caminhada no Recife, do Cais de Santa Rita até o Marco Zero, não é aleatória: consolida a fortaleza eleitoral no Nordeste. À noite, o cenário muda drasticamente — jantar com empresários em São Paulo sinaliza a ponte entre a base popular e o capital financeiro.

Augusto Cury (Avante) replica a lógica dual. Pela manhã, Recife; à tarde, culto na Igreja Batista Lírio dos Vales em Salvador. A busca pelo voto evangélico no Nordeste aparece como prioridade tática clara.

Minas Gerais: o verdadeiro campo de batalha

Se há um estado que define a eleição, é Minas. Três candidatos disputam o mesmo solo hoje, cada um com um recado distinto para o eleitorado mineiro — e para o mercado.

  • Romeu Zema (Novo): Roteiro intenso no Sul de Minas (Extrema, Cambuí, Ouro Fino). Entrevistas em rádios locais e almoço com a prefeita de Cambuí mostram foco na gestão municipalista e no eleitor conservador do interior.
  • Renan Santos (Missão): Cruza a divisa entre Franca (SP), Uberaba e Uberlândia (MG). O Triângulo Mineiro e a região de Franca representam o coração do agronegócio e da indústria de calçados/móveis.
  • Hertz Dias (PSTU): Belo Horizonte. Panfletagem na Santa Casa, Mercado Central, PUC e rua Sapucaí. Aposta na mobilização urbana e no discurso de classe nas ruas da capital.

O recado do mercado: Minas não é “passeio”, é onde a disputa pela centro-direita e pela esquerda radical acontece simultaneamente.

Centro-Oeste: o sinal do agronegócio

Ronaldo Caiado (PSD) domina a agenda goiana com carreatas em Quirinópolis, Itumbiara e Catalão — municípios-polo do agronegócio e da logística (hidrovia/ferrovia). À noite, reunião fechada com apoiadores em Goiânia.

A escolha das cidades não é acidental. Itumbiara e Catalão estão no corredor de exportação pelo Porto de Santos e pela Ferrovia Norte-Sul. A presença ali é um aceno direto ao setor que mais pesa no PIB e no câmbio.

Rio de Janeiro: segurança, cultura e moradia

O estado concentra agendas com tons distintos:

  • Flávio Bolsonaro (PL): Formatura da PMERJ pela manhã — reforço na bandeira da segurança pública. À noite, Jaguariúna Rodeo Festival (SP), evento-símbolo do agronegócio paulista e da cultura country conservadora.
  • Edmilson Costa (PCB): Roda de conversa em Seropédica (Baixada Fluminense) sobre classe trabalhadora e, à noite, debate sobre moradia no centro do Rio. Pauta urbana e social pura.
  • Rui Costa Pimenta (PCO): Duas entrevistas de alto alcance: Luiz Bacci (16h40) e Bob Navarro na PlayTV (20h). Estratégia de mídia alternativa para furar o bloqueio dos grandes veículos.

O silêncio que grita: três ausências notáveis

Clariana Barão (DC), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata) não divulgaram compromissos públicos. Leonardo Avalanche (PRTB) também não enviou agenda até o fechamento desta edição.

Para analistas de risco político, a ausência de agenda aberta pode indicar duas coisas: dificuldade logística/financeira ou estratégia de “campanha de gabinete” focada em alianças partidárias invisíveis ao eleitor. Em ano de eleição, vazio de informação costuma ser preenchido por especulação.

O que observar daqui para frente

A ordem alfabética do rodízio da Agência Brasil coloca Zema e Caiado em evidência hoje, mas o termômetro real está nos deslocamentos. A concentração de candidatos no Triângulo Mineiro e Sul de Goiás na mesma data sugere que a “guerra do milho e da soja” já começou.

Fique atento: os discursos nas rádios de Extrema e Cambuí, as promessas no jantar paulistano e as falas no rodeio de Jaguariúna devem antecipar as propostas econômicas que impactarão juros, câmbio e regulação setorial nos próximos trimestres. O calendário eleitoral ditou o ritmo; o mercado agora decifra a partitura.