O governador Mateus Simões (PSD) inverteu a curva negativa em menos de duas semanas, segundo o Datafolha: a aprovação saltou para 41% enquanto a reprovação recuou para 33%. O movimento ocorre num momento decisivo para a sucessão estadual e mexeu no tabuleiro eleitoral de 2026.
A pesquisa, realizada entre 22 e 24 de setembro com 1.204 eleitores, tem margem de erro de três pontos percentuais. O que os números não dizem explicitamente é qual fatia do eleitorado mudou de lado — e se o efeito dura até a largada oficial da campanha.
O que mudou na avaliação do governo
O conceito “ótimo/bom” travou em 20%, mas a fatia dos que veem a gestão como “regular” cresceu dois pontos, chegando a 43%. Simultaneamente, a soma de “ruim/péssimo” caiu de 18% para 16%. Na prática, o eleitor mineiro migrou da rejeição ativa para uma zona de espera.
Esse deslocamento sugere que a estratégia de visibilidade do governador — intensificada nas últimas semanas — começa a furar a bolha de indiferentes. O contingente de “não sabem” segue alto, acima de 20%, funcionando como reserva de votos para ambos os lados.
Impacto direto no cenário sucessório
Com a melhora nos índices, Simões tenta se credenciar como alternativa viável num campo que hoje tem Cleitinho (Republicanos) liderando com 40% das intenções de voto. O governador aparece com 5% no levantamento espontâneo, empatado tecnicamente com outros nomes da base aliada.
Para investidores e empresários que monitoram a estabilidade política mineira, o recado é claro: a vantagem da oposição não é intransponível, mas o tempo de exposição do atual gestor virou ativo escasso.
- Aprovação: 41% (era 37% em 11/09)
- Desaprovação: 33% (era 38%)
- Avaliação regular: 43% (era 41%)
- Margem de erro: 3 p.p. para mais ou menos
O fator “regular” como termômetro de risco
Quase metade do eleitorado classifica a gestão como regular. Historicamente, esse segmento define eleições em segundo turno: vota no “menos pior” ou no “mais conhecido” quando a campanha esquenta. Quem controlar a narrativa sobre economia e segurança nessa faixa leva vantagem.
Além disso, a pesquisa para o Senado mostra Marília Arraes (13%), Aécio Neves (11%) e Alexandre Silveira (11%) embolados. A fragmentação nacional reflete a estadual e obriga alianças transversais — o que pode beneficiar ou atrapalhar Simões dependendo do desenho das chapas.
O que observar daqui para frente
O próximo Datafolha deve medir se a curva de alta se consolida ou se foi apenas efeito de agenda positiva pontual. Dois gatilhos merecem atenção: a execução orçamentária do Estado no último trimestre e a definição do palanque federal em Minas. Se a base lulista rachar, o “regular” pode virar “ruim” num piscar de olhos. Quem opera no mercado mineiro deve precificar essa volatilidade nos próximos 90 dias.
