O presidenciável Renan Santos (Missão) anunciou que pretende extinguir benefícios fiscais para instituições de ensino superior particulares consideradas de baixa qualidade — as chamadas “unisquinas” — e redirecionar recursos para áreas estratégicas como biotecnologia, inteligência artificial e engenharia aeroespacial. A declaração foi feita durante agenda em São Carlos (SP), na quinta-feira (24).
Mas a proposta de cortar incentivos é apenas a ponta do iceberg. O candidato também revelou sua estratégia eleitoral: transformar jovens em cabos eleitorais dentro de casa.
O que muda na prática se a proposta sair do papel
Hoje, faculdades privadas acessam isenções e linhas de financiamento público sem uma filtragem rigorosa de qualidade, segundo o candidato. O plano apresentado prevê condicionar esses recursos a critérios de excelência acadêmica e relevância para o desenvolvimento tecnológico do país.
Cursos de humanas não seriam extintos, mas deixariam de ter prioridade no financiamento estatal. “Quer fazer um bom curso de humanas? Pague. Se for um bom curso, nós arrumamos financiamento”, afirmou Santos durante o encontro com apoiadores em uma lanchonete da cidade.
Os setores que ganhariam prioridade
- Biotecnologia e saúde — foco em pesquisa aplicada e inovação farmacêutica
- Inteligência artificial — desenvolvimento de soluções nacionais para reduzir dependência externa
- Engenharia aeroespacial — aproveitamento do programa espacial brasileiro
- Geologia e terras raras — exploração estratégica de minerais críticos
- Agricultura de precisão — tecnologia para elevar a produtividade no campo
A lógica é direcionar verba pública para áreas que gerem empresas, patentes e empregos de alto valor agregado — o que, na visão do candidato, resolveria o gargalo da inovação no Brasil.
Crítica à autonomia universitária atual
Santos atacou a gestão de recursos nas universidades brasileiras. Para ele, a autonomia administrativa tem servido para blindar decisões de gastos questionáveis, sem prestação de contas efetiva à sociedade.
“Hoje a universidade brasileira gasta o dinheiro como quer. Infelizmente gasta mal”, declarou. A proposta prevê mecanismos de auditoria e metas de desempenho para instituições que recebem dinheiro público, direta ou indiretamente.
A aposta no eleitorado jovem como motor da campanha
Além da pauta educacional, o candidato expôs sua tática de mobilização. Ele pediu que jovens — sua base mais engajada — atuem como “conversores de votos” no ambiente familiar.
“O trabalho é virar os pais, avós e tios. Eu fazia isso quando era criança e eles vão fazer também”, disse. A estratégia mira o impacto desproporcional que eleitores mais velhos têm no resultado final, dado o voto obrigatório e a maior taxa de comparecimento nessa faixa etária.
Questionado sobre alianças para um eventual segundo turno, o presidenciável evitou compromissos: afirmou apenas que estará na disputa.
O que observar nas próximas semanas
A agenda segue para Ribeirão Preto e outras cidades do interior paulista, onde o candidato deve detalhar como pretende operacionalizar o corte de isenções sem ferir a Constituição — que garante autonomia universitária. Outro ponto de atenção: a receptividade do setor educacional privado, que movimenta bilhões em financiamento estudantil (Fies, ProUni) e deve reagir à proposta.
Para o eleitor que acompanha a corrida presidencial, vale monitorar se outros candidatos apresentarão contrapropostas para o ensino superior ou se o tema ficará restrito a discursos de nicho. A definição de “ensino vagabundo” e os critérios técnicos para enquadrar instituições também prometem render debates jurídicos e políticos.
