Economia

O elo oculto: crime organizado, Banco Master e o filme Dark Horse

Diagrama mostra conexão entre crime organizado, Banco Master e financiamento do filme Dark Horse
Esquema revela como empresa de "Mineiro" lavava dinheiro entre facções e o Banco Master via filme.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a empresa responsável por viabilizar financeiramente o filme “Dark Horse” operava como uma ponte direta entre o Banco Master e facções criminosas. A revelação ocorreu durante a terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada ontem pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.

A Entre Investimentos, do delator Antônio Carlos Freixo Júnior — conhecido como “Mineiro” —, recebia recursos de ambas as origens e os misturava em uma mesma estrutura societária. Para os investigadores, o esquema servia para lavar dinheiro e corromper agentes públicos.

O que a delação revela sobre o fluxo do dinheiro

Freixo Júnior fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das apurações sobre o Banco Master. Em depoimento, ele detalhou como a Entre Investimentos funcionava como uma “caixa única” onde confluíam valores do banco controlado por Daniel Vorcaro e de organizações criminosas.

Segundo Durigan, “estamos falando de um mesmo fundo, de onde dinheiro de diferentes lugares foi parar, seja do Master, seja do crime organizado, seja de figuras que já estão com delação premiada”. A afirmação sugere que a liquidez para as operações do grupo vinha de uma fonte comum, dificultando o rastreamento da origem lícita ou ilícita de cada quantia.

Os principais personagens até agora

  • Antônio Carlos Freixo Júnior (“Mineiro”): dono da Entre Investimentos, delator da PGR
  • Daniel Vorcaro: controlador do Banco Master, financiador do filme
  • Dario Durigan: ministro da Fazenda, porta-voz da informação
  • Jair Bolsonaro: ex-presidente, retratado no documentário “Dark Horse”

Por que o filme entrou na mira da investigação

“Dark Horse” foi produzido com recursos do Banco Master e conta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A entrada da Entre Investimentos no financiamento da obra colocou a produção no centro do cruzamento de dados da Operação Carbono Oculto.

A Polícia Federal já aponta indícios de que Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, teria cobrado diretamente Vorcaro pela realização do filme. A defesa de Flávio tentou levar o caso ao ministro André Mendonça, do STF, sem sucesso. Nesta semana, o ministro Flávio Dino determinou o fim do sigilo das investigações sobre a obra.

O que está em jogo para o sistema financeiro

A mistura de recursos de uma instituição bancária regulada com dinheiro do crime organizado expõe falhas graves nos mecanismos de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro. Se comprovado que o Banco Master atuou como vetor para recursos ilícitos, o caso pode desencadear sanções do Banco Central e processos administrativos de grande porte.

Além disso, a delação de Freixo Júnior pode alcançar outros negócios do Grupo Entre e de parceiros comerciais que utilizaram a mesma estrutura de “bolso único” descrita pelo ministro.

O que observar nas próximas semanas

Três frentes merecem atenção imediata: o desenrolar da delação premiada de Freixo Júnior no Supremo Tribunal Federal, os desdobramentos da Operação Carbono Oculto na esfera criminal paulista, e a posição do Banco Central sobre a governança do Banco Master. Qualquer uma delas pode ampliar o raio de alcance do escândalo para além do setor cinematográfico.

Para investidores e empresários, o caso reforça a necessidade de due diligence rigorosa em parceiros de captação de recursos — especialmente quando há intersecção entre mercado regulado e projetos de visibilidade política.