A CrediSIS JiCred reuniu 39 profissionais de áreas distintas em Ji-Paraná (RO) para resolver um desafio crítico: formar líderes que dominem a técnica, mas vivam o cooperativismo na prática. O programa LideraCoop aposta na colisão de experiências reais, não apenas em conteúdo teórico. O desfecho dessa imersão, prevista para novembro, pode ditar o ritmo da governança da instituição nos próximos anos.
Por que a troca de cadeiras muda o jogo
A metodologia rejeita a passividade. Felipe Segatto, consultor da Longevisar à frente dos módulos, explica que o aprendizado acelera quando vivências diferentes colidem em debates estruturados. Não há plateia: delegados, gestores e conselheiros expõem dores reais da operação e testam soluções sob óticas opostas.
Esse desenho espelha a intercooperação, princípio basilar do modelo. Ao forçar o diálogo entre quem atende o associado no balcão e quem define a estratégia na diretoria, o programa elimina o “telefone sem fio” que costuma distorcer decisões nas cooperativas de crédito.
O impacto direto na gestão da cooperativa
Para Sérgio Luiz Milani, presidente da CrediSIS JiCred, a equação é simples: liderança preparada gera representação qualificada. Ele resume o objetivo em três verbos: representar, decidir, contribuir. A ideia é que cada participante saia capacitado para ler o cenário macroeconômico e traduzir para a realidade do associado sem perder a identidade cooperativista.
Não se trata de formar técnicos melhores, mas conselheiros mais lúcidos. A distinção sutil define se a cooperativa reage ao mercado ou antecipa tendências.
Competências que não se aprendem em manual
O currículo dos seis módulos equilibra dureza técnica com fluidez comportamental. Veja o que está sendo exigido dos participantes:
- Visão sistêmica: conectar decisão local a impacto regulatório.
- Gestão de conflitos: mediar interesses diversos sem rupturas.
- Inovação responsável: modernizar sem ferir princípios cooperativistas.
- Resiliência: sustentar decisões impopulares quando necessárias.
- Domínio do modelo de negócio: entender a engrenagem financeira por trás do atendimento.
Alana Katrini Forte, delegada do Ponto de Atendimento 02 de Abril, confirma na prática: a riqueza está no “choque de realidades”. Ouvir como outro setor resolveu um problema idêntico poupa meses de tentativa e erro.
Cronograma: o que vem pela frente
A jornada começou em junho e avança em blocos mensais. Os dois primeiros módulos cobriram a base doutrinária e as particularidades do crédito cooperativo. Em agosto, o foco virou planejamento estratégico; setembro trouxe governança aplicada. Restam duas frentes decisivas:
- Diretrizes de boas práticas de governança — alinhamento a normas e ética.
- Estrutura e funcionamento dos órgãos de governança — operacionalização de conselhos e comitês.
O encerramento em novembro fecha o ciclo, mas a expectativa é que a rede de contatos formada continue operando como conselho informal permanente.
O que observar daqui para frente
O verdadeiro teste não é a formatura, mas a próxima assembleia geral. Acompanhe se os participantes do LideraCoop elevam o nível das discussões, propõem métricas novas de acompanhamento e reduzem o gap entre decisão da diretoria e execução na ponta. Para investidores e parceiros do Sistema CrediSIS, a maturidade dessa turma sinaliza se a cooperativa está blindando sua governança contra amadorismo — ou apenas cumprindo agenda regulatória.
