Tecnologia

Você não vai acreditar: 72% amam a IA, mas o Ocidente treme…

Mapa mundial colorido mostrando otimismo com IA no Sul Global e ceticismo no Ocidente
Pesquisa Gallup em 37 países revela divisão geográfica surpreendente sobre inteligência artificial.

Uma pesquisa da Gallup em 37 nações revela que 72% da população global sente curiosidade, felicidade ou entusiasmo com a inteligência artificial. O choque? Os países mais ricos do Ocidente formam o bloco mais cético do planeta.

Essa fratura expõe uma realidade invisível nas manchetes: enquanto o Sul Global abraça a tecnologia como motor de desenvolvimento, economias maduras travam no medo do desconhecido. O que explica esse abismo?

O mapa da esperança: Ásia e África na liderança

Na China e no Vietnã, mais de 90% dos entrevistados acreditam que a IA melhorará o dia a dia. Nigéria, Israel e Singapura superam os dois terços de aprovação. Nesses mercados, a narrativa dominante associa a inovação a ganhos econômicos imediatos e salto de produtividade.

Governos asiáticos, em particular, tratam a ferramenta como política de Estado para desenvolvimento. Riscos existenciais existem, mas ficam em segundo plano diante da urgência de crescer.

O “Ocidente preocupado” é uma exceção estatística

Os sete países ocidentais de alta renda avaliados — EUA, Reino Unido, Irlanda, Canadá, Nova Zelândia, Malta e Holanda — dominam o ranking de apreensão. Nos Estados Unidos, apenas 36% veem mais benefícios do que danos.

Pablo Diego-Rosell, cientista sênior da Gallup, classifica esse grupo como singular: alta adoção tecnológica convive com a sensação de que a IA ajuda o indivíduo, mas prejudica o coletivo nacional.

  • EUA: 36% veem benefício líquido; 32% nunca usaram IA.
  • China/Vietnã: 90%+ otimistas; adoção diária dispara em Singapura e Israel.
  • Mediana global: 57% nunca experimentaram a tecnologia.

Quem usa, confia: o fator familiaridade

O dado mais contra-intuitivo surge ao cruzar uso e medo. Nos EUA, 68% dos usuários diários se dizem preocupados — percentual que sobe para 80% entre usuários esporádicos e 74% entre quem nunca tocou na ferramenta.

A exposição contínua reduz a ansiedade. O desconhecido, não a tecnologia em si, alimenta o temor. Isso sugere que a barreira não é técnica, mas de acesso e educação.

Vietnã e Singapura: dois caminhos, uma lição

Edward Lim, diretor da BLOCK71 no Vietnã, observa divergências práticas. Em Singapura, notícias sobre “agentes de IA fora de controle” elevam a cautela. No Vietnã, onde mão de obra humana ainda compete em custo com automação, o entusiasmo impera.

“As pessoas estão abertas a experimentar”, resume Lim. A pesquisa reflete o que ele vê na prática: a cultura de teste rápido acelera a aceitação.

O que observar daqui para frente

A Gallup expandirá o levantamento para 140 países, o que deve refinar esse mapa. Para líderes de negócios, o recado é claro: a resistência ocidental não é espelho do mundo. Estratégias globais de produto, contratação e comunicação precisam considerar que, fora da bolha EUA-Europa, a IA já é vista como aliada, não como ameaça.

O próximo ciclo de adoção virá de quem hoje nem sabe o que é um prompt — e esse contingente, hoje em 57% da amostra, define o tamanho real do mercado endereçável.