Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (23) coloca o presidente Lula (PT) com 55% das intenções de voto no Ceará, mas o dado que move o tabuleiro é outro: Flávio Bolsonaro (PL) saltou de 16% para 23% em poucas semanas. O cenário desenha uma polarização precoce no estado.
O levantamento, encomendado pela TV Verdes Mares, ouviu 900 eleitores entre 19 e 22 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais. Veja por que esses números importam para quem acompanha o xadrez eleitoral de 2026.
O crescimento que ninguém previu em setembro
Na pesquisa estimulada, Lula oscilou dentro da margem de erro (ia de 54% para 55%). Já o senador Flávio Bolsonaro registrou a variação mais expressiva do período: sete pontos percentuais de alta. Em um estado historicamente petista, o avanço do nome bolsonarista sinaliza uma consolidação da oposição de direita que vinha pulverizada.
Outro movimento relevante: o escritor Augusto Cury (Avante) caiu pela metade, indo de 10% para 5%. Renan Santos (Missão) subiu timidamente de 2% para 3%. Os demais nomes não saíram do traço. Brancos, nulos e indecisos somam 13%, patamar estável.
Segundo turno: a força da máquina e do antipetismo
No confronto direto, Lula venceria Flávio Bolsonaro por 59% a 27%. A diferença de 32 pontos parece confortável, mas esconde um detalhe: em julho, a vantagem era de 37 pontos. A rejeição ao PT no estado encontra no senador um receptáculo único, concentrando votos que antes se dispersavam.
- Lula (PT): 59% (era 60% em julho)
- Flávio Bolsonaro (PL): 27% (era 23%)
- Branco/Nulo: 11%
- Indecisos: 3%
O eleitorado cearense mostra alta definição: 84% afirmam que o voto é definitivo. Apenas 16% admitem chance de mudança até outubro.
Aprovação do governo serve de termômetro
Os números da corrida presidencial espelham a avaliação da gestão federal no estado. A aprovação do governo Lula subiu de 60% para 64%, enquanto a desaprovação caiu de 34% para 33%. O “não sabe” encolheu de 6% para 3%.
Esse alinhamento entre aprovação pessoal do presidente e intenção de voto sugere que, por enquanto, a transferência de popularidade para a reeleição funciona no Ceará. Mas o crescimento de Flávio Bolsonaro indica que o teto da oposição ainda não foi testado.
O que observar daqui para frente
A pesquisa registra um momento de transição: a oposição deixa de ser fragmentada para ter um rosto único no estado. Para investidores e analistas de risco político, o dado-chave é a velocidade da consolidação de Flávio Bolsonaro. Se a tendência se mantiver, o Ceará deixa de ser um “estado vermelho” garantido para se tornar um termômetro real da competitividade nacional da direita em 2026. O próximo levantamento dirá se foi ruído estatístico ou mudança estrutural.
