Economia

Bolsa brasileira pode saltar 28%? Bancos globais veem “oportunidade rara” às vésperas da eleição

Gráfico de alta da bolsa brasileira com logos JPMorgan, Goldman Sachs e Global X indicando oportunidade de 28%
Três gigantes financeiros globais veem bolsa brasileira subvalorizada às vésperas da eleição

Três das maiores instituições financeiras do planeta convergem para um mesmo diagnóstico: a bolsa brasileira está barata demais para o risco que carrega. JPMorgan, Goldman Sachs e Global X apontam que o MSCI Brazil negocia a múltiplos de “cenário de deterioração”, enquanto o investidor estrangeiro mantém posições historicamente leves. A definição do pleito pode ser o gatilho que falta para uma reprecificação violenta.

Mas até onde essa alta pode ir — e quais setores realmente vão puxar o bonde?

O desconto que chama a atenção de Wall Street

O JPMorgan calcula que o índice de referência do país negocia a 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Para o banco, esse patamar está muito mais próximo do seu cenário pessimista do que de uma recuperação. Se o ambiente político e econômico melhorar, o potencial de valorização é de 28%. Em um cenário de “ajuste estrutural”, o teto sobe para 54%.

A sensibilidade às pesquisas já é mensurável. Desde julho, dias de avanço nas chances da oposição elevaram o MSCI Brazil em 0,20% na média. Em setembro, esse efeito saltou para 0,72% por sessão favorável.

Estrangeiro continua fora — e isso é combustível

A tese das três casas apoia-se num pilar comportamental: o capital externo ainda não voltou. A Global X registra saída de R$ 13 bilhões entre 11 e 18 de agosto, uma das maiores fugas desde 2008. Para a gestora, os fundamentos não justificam o pânico.

O Goldman Sachs ouviu 70 gestores globais e confirmou o vazio: ações brasileiras são a classe de ativo menos comprada pelos gringos. Cerca de 60% declararam-se “leves” ou “muito leves”. Metade dos consultados acredita que o ETF EWZ pode subir 20% até o fim do ano se a oposição vencer.

Juros: o verdadeiro motor da reprecificação

O Brasil oferece juros reais próximos de 9,3% ao ano — um dos maiores do mundo. A Global X destaca que a expectativa de cortes na Selic tende a expandir os múltiplos das ações. O JPMorgan estima que uma queda mais agressiva das taxas adicionaria entre 21% e 41% ao MSCI Brazil no médio prazo.

O Goldman vai além: o ganho não será homogêneo. O banco calcula que, se o mercado precificar 200 a 300 pontos-base de cortes nos juros curtos, sua cesta de ações sensíveis a taxas pode se reprecificar em mais de 30%, com o P/L saltando de 9x para 12x.

Quem lidera o rali se os juros caírem?

A aposta do Goldman é uma carteira das 30 ações do Ibovespa mais correlacionadas aos juros de cinco anos. A composição revela onde o dinheiro inteligente aposta:

  • Financeiras: 38%
  • Construção civil e imobiliário: 17%
  • Industriais: 17%
  • Utilities: 12%
  • Consumo discricionário: 9%
  • Materiais básicos: 6%

Em ciclos históricos de fechamento da curva, esse grupo entregou retorno três vezes superior ao do Ibovespa cheio.

Brasil como refúgio do “hype” de IA

A Global X adiciona um argumento de diversificação: cerca de 40% do MSCI Brazil são bancos e 37% são commodities. Setores que não dependem do ciclo de investimentos em inteligência artificial, hoje concentrador de fluxos globais. O índice negocia a 8,3x lucros com dividend yield próximo de 7% — combinação rara no histórico local.

Na visão da gestora, uma vitória de Lula já está no preço. A surpresa positiva viria de um resultado favorável à oposição ou de sinais concretos de disciplina fiscal e queda de juros.

O que observar daqui para frente

O calendário curto dita o ritmo: pesquisas semanais, debates televisivos e, principalmente, a sinalização do futuro ministro da Fazenda. O fluxo estrangeiro segue o termômetro — qualquer indício de responsabilidade fiscal pode destravar entradas que hoje estão represadas. Para quem tem apetite a risco, a assimetria está posta: o lado negativo parece limitado, o positivo, multiplicado.