Economia

Bruno Funchal no C-Level: o que o ex-Tesouro revela sobre juros e dívida

Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional, em retrato profissional
Bruno Funchal estreia como colunista do C-Level, nova plataforma de negócios da Folha

O economista Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management e ex-secretário do Tesouro Nacional, estreia como colunista do C-Level, nova plataforma de negócios da Folha. A primeira análise sai nesta terça-feira (22) no site e na quarta (23) no impresso, com periodicidade quinzenal.

Mas o currículo dele não é só enfeite. Funchal sentou na cadeira onde se decide o financiamento da dívida pública nos momentos mais tensos da pandemia. Agora, do lado privado, ele promete traduzir o “economês” para quem precisa tomar decisão de verdade.

O que muda na sua leitura de mercado

As colunas vão cobrir política monetária, fiscal, investimentos, mercado de capitais e o impacto da tecnologia nas finanças. A proposta do C-Level é entregar curadoria especializada e entrevistas com protagonistas da economia — e Funchal chega como a peça central dessa engrenagem.

Para o leitor, o ganho direto é acesso a uma visão que transita entre a execução da política pública e a gestão de bilhões em ativos privados. Poucos analistas têm essa dupla ótica na prática.

Da lei de falências ao comando do Tesouro na crise

A trajetória explica a autoridade no assunto. Doutor pela FGV e pós-doutor pelo IMPA, Funchal virou referência nacional em legislação de falências e recuperação judicial ainda na academia. Isso o levou ao governo federal, onde participou da construção da nova lei de falências — processo que começou na gestão Temer e foi aprovado em 2021.

Como secretário da Fazenda do Espírito Santo (2017-2018), levou o estado à nota máxima de solvência. No Tesouro Nacional (2020-2021), o desafio foi outro: financiar um déficit que saltou de 2% para 9% do PIB em meses.

  • Formação: Economia (UFF), Doutorado (EPGE-FGV), Pós-doutorado (IMPA).
  • Setor público: Secretário Fazenda ES | Secretário Tesouro Nacional | Secretário Especial Tesouro e Orçamento.
  • Setor privado: CEO Bradesco Asset Management desde maio de 2022.

O diagnóstico que ninguém gosta de ouvir

Mas o efeito mais relevante aparece na leitura que ele faz do mundo pós-pandemia. Segundo Funchal, a crise deixou um legado estrutural: déficits nominais mais altos, inflação persistente e juros elevados globalmente — não só no Brasil.

“A inflação foi e nunca voltou para o ponto original. Tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, o déficit nominal está mais elevado. Os juros no mundo inteiro estão maiores por causa disso”, afirmou em entrevistas recentes. É um cenário que muda a régua de precificação de risco para qualquer portfólio.

Por que isso importa para o seu bolso agora

Neste ano, ele já publicou uma série de artigos focados no desafio fiscal brasileiro. A entrada no C-Level sinaliza que esse debate vai ganhar regularidade e profundidade — com dados, não opinião solta.

Se você acompanha alocação, gestão de dívida corporativa ou apenas quer entender para onde vão a Selic e o câmbio, a coluna quinzenal passa a ser leitura obrigatória. O primeiro texto sai amanhã. Vale marcar no calendário.

O que observar daqui para frente: a forma como Funchal vai conectar os dados fiscais do dia a dia com as decisões de alocação da Bradesco Asset. Essa ponte entre o “deveria ser” da teoria e o “pode ser” do mercado é onde o dinheiro inteligente se posiciona.