Justiça

GPA pressiona Justiça e avisa: atraso na recuperação pode secar o caixa

Sede do GPA com grafismo de balança da justiça e gráfico de caixa em queda
GPA alerta: atraso na recuperação extrajudicial ameaça liquidez da varejista

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) entregou à Justiça nesta segunda-feira (21) sua defesa final para homologar a recuperação extrajudicial — e o tom da petição revela urgência. A varejista alerta: se a aprovação demorar, o caixa da companhia pode comprometer pagamentos a fornecedores nas próximas semanas.

A disputa gira em torno de números. O GPA afirma ter atingido 57,49% de adesão dos credores, acima dos 50% mais um exigidos por lei. As impugnantes contestam a contabilidade. Mesmo incluindo os créditos questionados, o índice cairia para 52,94% — ainda acima do limite legal.

O que as credoras não aceitam

Empresas de varejo, transporte, logística e software rejeitaram a proposta original. O argumento central: o plano favoreceria instituições financeiras em detrimento de fornecedores operacionais. A Casas Bahia figura entre as que formalizaram oposição em meados de setembro.

O Ministério Público endossou pedidos de perícia nos créditos listados e auditoria nos não listados. Também solicitou a nomeação de um administrador judicial — figura obrigatória na recuperação judicial, mas facultativa na extrajudicial.

Por que o GPA rejeita o administrador judicial

A varejista sustenta que a lei só prevê essa nomeação em casos de indício de fraude ou quando o juiz não consegue analisar o plano sozinho. “Nenhuma das hipóteses se aplica”, diz a petição. Para o GPA, a medida apenas encareceria e atrasaria o processo sem benefício prático.

Outro ponto sensível: pedidos de comprovação detalhada de milhares de relações comerciais. A defesa classifica como “prova diabólica” — termo jurídico para exigências impossíveis de cumprir na prática.

  • Quórum declarado pelo GPA: 57,49%
  • Quórum com créditos contestados: 52,94%
  • Mínimo legal para homologação: 50% + 1
  • Prazo para MP se manifestar: em dobro (em relação às credoras)

O fator trabalhista pesa a favor

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo manifestou-se favoravelmente à homologação imediata. A entidade argumenta que a incerteza prejudica a retenção de talentos e o planejamento das relações de trabalho — um argumento que a juíza Larissa Gaspar deve considerar.

A magistrada determinou esclarecimentos em 28 de agosto. As respostas chegaram em 14 e 15 de setembro. Agora, aguarda-se o parecer final do Ministério Público antes da decisão.

O que observar nas próximas semanas

Se homologado o plano, o GPA projeta normalização de pagamentos e caixa confortável para operar. O risco do cenário inverso é explícito na petição: atraso na decisão = pressão imediata sobre o capital de giro. Para investidores e fornecedores, a data da sentença define se a reestruturação vira realidade ou se o grupo entra em nova fase de instabilidade financeira.