Sergio Moro (PL) comprimiu 12 horas de campanha nesta sexta-feira (18) entre uma caminhada no calçadão de Curitiba e reuniões fechadas com a elite do agronegócio e da indústria florestal. O recado ao eleitorado é direto: a disputa pelo Palácio Iguaçu passa, obrigatoriamente, pelo aval do setor produtivo. Mas o que o ex-juiz negociou a portas fechadas com os maiores contribuintes do estado?
A maratona logística que desenha a estratégia
A agenda começou às 8h com gravações para o horário eleitoral e ganhou as ruas às 10h na Rua XV de Novembro, vitrine tradicional para acenar ao voto urbano. A virada de chave ocorreu no meio-dia: entrevista à CBN Maringá e sabatina na Veja projetam a candidatura para fora das fronteiras paranaenses.
O peso real da campanha, no entanto, concentrou-se na tarde e na noite. Às 15h, encontro com a APRE (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal). Às 20h, reunião com núcleo empresarial na Sociedade Rural de Londrina. Dois compromissos que sinalizam onde o candidato pretende ancorar seu plano de governo.
Por que o setor florestal e o agro ditam o ritmo
Não é coincidência. Juntos, a base florestal e o agronegócio respondem por fatia expressiva do PIB estadual e das exportações paranaenses. Para um empresário ou investidor, a presença do candidato nesses ambientes indica prioridades claras:
- Desburocratização ambiental: Licenciamento mais ágil para plantio e colheita.
- Infraestrutura logística: Pressão por duplicações, ferrovia e Porto de Paranaguá.
- Segurança jurídica: Garantia de contratos e propriedade — bandeira histórica do candidato.
Moro evitou promessas genéricas em público. Nos bastidores, a expectativa é por compromissos mensuráveis com competitividade tributária e fundos de desenvolvimento regional.
O tabuleiro com oito adversários
A corrida ao governo reúne oito nomes oficializados, o que pulveriza o tempo de TV e exige microsegmentação de discurso. Além de Moro (PL), disputam:
- Adriano Teixeira (PCO)
- Alexandre Salomão (Mobiliza)
- Luiz França (Missão)
- Requião Filho (PDT)
- Samuel Mattos (PSTU)
- Sandro Alex (PSD)
- Tayná Miessa (UP)
A fragmentação partidária obriga o ex-ministro a construir pontes rápidas com setores organizados — daí a agenda intensa com entidades de classe logo na largada.
Datas que o mercado não pode ignorar
O calendário eleitoral impõe prazos duros para quem monitora risco político e regulatório:
- 16/08: Início oficial da campanha (já ocorrido).
- 04/10: Primeiro turno.
- 25/10: Eventual segundo turno.
Até outubro, sabatinas, debates e programas de rádio/TV serão os únicos palcos para comparar propostas concretas de desenvolvimento econômico.
O que observar daqui para frente
O fechamento da semana aponta para uma campanha “B2B” (business-to-business) nas entranhas do Paraná profundo. O próximo termômetro será a divulgação do plano de governo registrado no TSE: nele estarão — ou não — as métricas prometidas a portas fechadas para APRE e Sociedade Rural. Para o investidor, a leitura atenta desse documento vale mais do que qualquer caminhada no calçadão.
