A União Europeia acaba de aceitar os protocolos sanitários brasileiros para carne de frango, pavimentando o retorno das exportações suspensas desde setembro. O anúncio partiu do secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, durante evento em São Paulo, e a relistagem oficial deve sair “muito em breve”.
Mas por que um bloco que compra menos de 5% do volume total vendido pelo Brasil faz tanta diferença no faturamento do setor? A resposta está no valor agregado.
O entrave que travou 4,2 bilhões em receita
Em maio, a autoridade sanitária europeia retirou o Brasil da lista de países habilitados. O motivo: desconformidade com novas regras sobre antimicrobianos, que vedam o uso de substâncias reservadas à medicina humana ou como promotores de crescimento.
A punição foi imediata e ampla. Desde 3 de setembro, não só o frango, mas também carne bovina, mel e outros produtos de origem animal tiveram os embarques paralisados. O prejuízo cambial começou a contar no mesmo dia.
Números que explicam a urgência do acordo
Olhar apenas para o volume exportado esconde a relevância real desse mercado. Em 2024, os números foram eloquentes:
- 230 mil toneladas de frango destinadas à UE (4,5% do volume total);
- US$ 763 milhões em receita (R$ 4,2 bilhões);
- Participação de 7,7% no faturamento total das exportações do setor.
Ou seja: o mercado europeu paga melhor pelo quilo. Perder esse canal achata a média de preço de toda a cadeia produtiva.
Auditoria positiva e a fila da carne bovina
A virada de chave veio após auditoria realizada no dia 4 nas cadeias de frango e mel. A sinalização já era positiva, segundo o próprio Ministério, mas a carta oficializando a aceitação dos protocolos chegou agora.
O alívio, contudo, é parcial. A carne bovina — carro-chefe da pauta exportadora — ainda aguarda inspeção semelhante, sem data definida. Enquanto o frango caminha para a normalização, o boi segue no limbo.
O que observar nas próximas semanas
O Mapa evita cravar data, mas a expectativa interna gira em torno de menos de dois meses para a retomada prática dos embarques de aves. O próximo gatilho é a publicação do protocolo detalhado com as exigências finais europeias.
Para o empresário do agronegócio, dois movimentos valem monitoramento: a velocidade da relistagem no sistema TRACES (que habilita os frigoríficos) e a agenda da auditoria bovina. Quem tem exposição cambial ou estoque formado para o mercado europeu deve ajustar o fluxo de caixa para uma reentrada escalonada, não instantânea.
