Economia

ANP nega gasolina “caseira”: Vertex barrada e mercado em alerta

Prédio da ANP em Brasília com bandeira do Brasil, sede da agência que barrou gasolina caseira da Vertex
ANP nega autorização para Vertex produzir gasolina fora de refinarias tradicionais em Sorocaba (SP)

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) acaba de fechar as portas para a produção de gasolina fora das refinarias tradicionais. O diretor Pietro Mendes negou, em regime de urgência, o pedido da Vertex Formulação e Armazenagem para operar em Sorocaba (SP) com capacidade de 3.333 m³ por dia. A decisão derruba uma liminar judicial e reacende o debate sobre riscos fiscais no setor.

O que estava em jogo: 3,3 mil m³ por dia

O pleito da Vertex tramitava desde julho de 2024. A ideia era autorizar a técnica de formulação — mistura de correntes e aditivos fora do parque refino — na unidade do interior paulista. Se aprovado, o volume representaria uma fatia relevante de oferta alternativa no mercado paulista.

Mas o processo travou no ano passado. A própria ANP suspendeu cautelarmente as regras da atividade após denúncias de fraude fiscal e adulteração investigadas pelas operações Arinna, Cassiopeia e Carbono Oculto, da Polícia Federal.

A reviravolta judicial que não adiantou

Em meio à paralisação geral, a Vertex conquistou no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) uma ordem para que a agência concluísse a análise em cinco dias e publicasse a autorização provisória. A Procuradoria junto à ANP, porém, interpretou que a decisão exigia apenas um veredito fundamentado — não necessariamente favorável.

O órgão regulador optou pelo indeferimento. A Vertex cumpria os requisitos técnicos da regulamentação vigente, mas isso não bastou para reverter o “não”.

Por que a agência mudou de lado?

O parecer técnico finalizado neste ano recomendou o fim da atividade de formulação. A conclusão: os riscos regulatórios superam os benefícios ao mercado. Autorizar apenas a Vertex, enquanto dezenas de processos concorrentes seguem congelados, criaria tratamento desigual entre empresas.

Essa é a mesma lógica que embasou a suspensão das regras em 2024. O sinal é claro: a prioridade da ANP é a segurança jurídica e fiscal, não a expansão da capacidade via formulação.

Impacto direto para quem opera no setor

  • Incerteza jurídica: Decisões liminares não garantem direito adquirido se o mérito regulatório muda.
  • Risco de fiscalização: O foco em operações como Carbono Oculto mantém a régua alta para compliance tributário.
  • Concorrência travada: Novos entrantes via formulação seguem bloqueados; refinarias tradicionais mantêm vantagem estrutural.

O próximo round: Diretoria Colegiada

A palavra final agora pertence à Diretoria Colegiada da ANP. O colegiado pode confirmar o indeferimento ou reabrir a discussão — mas o cenário político e técnico aponta para manutenção do veto. Enquanto isso, a regra geral segue: formulação de combustível fora de refinaria continua suspensa por tempo indeterminado.

O que observar daqui para frente: Acompanhe a pauta da Diretoria Colegiada nas próximas semanas. Se o veto for confirmado, a tendência é de judicialização em massa por parte de outras empresas que aguardam na fila. Para investidores e gestores de suprimento, o recado é pragmático: não estruture negócios dependendo da abertura desse canal regulatório no curto prazo.