O “Diário de um CEO” está a 1,6 milhão de inscritos de destronar o “Joe Rogan Experience” no YouTube. Se o ritmo atual se mantiver, a virada acontece ainda em 2025. Mas o número que impressiona investidores não é o de assinantes — é a avaliação de US$ 425 milhões da holding que Bartlett construiu sem abrir mão do controle.
O britânico de 34 anos não comemora com vinho. Em um trecho viralizado, admitiu que duas ou três taças estragam seus dias seguintes. A declaração virou munição para críticos que questionam a coerência de um programa que já hospedou defensores de protocolos extremos de biohacking e figuras da “machosfera”. Bartlett, contudo, diz passar pouco tempo online. “Vocês ficariam chocados”, resume.
O motor de crescimento que ninguém vê
O canal soma 19,5 milhões de inscritos e supera 100 milhões de visualizações mensais combinadas. O segredo não está apenas nos episódios longos: a operação fatia cada entrevista em dezenas de shorts, clipes e citações distribuídos algorítmicamente. A máquina de distribuição foi desenhada para escalar sem depender do rosto do fundador em cada peça.
- 19,5 mi de inscritos no YouTube (2º lugar global)
- 21,1 mi do líder Joe Rogan — diferença de 7,6%
- 100 mi+ visualizações/reproduções por mês
- US$ 425 mi de valuation na última rodada (R$ 2,16 bi)
Bartlett manteve mais de 90% da Steven.com após o último aporte. A estrutura foi pensada para preservar o controle do conselho por cinco décadas. “Essencialmente, esta é minha última dança”, define. Aos 18 anos, lançou seu primeiro negócio digital; hoje, a holding nascida em Delaware quer ser a “loja completa” para criadores que atingiram teto operacional.
Da cadeira de “Dragão” para a fábrica de criadores
Como investidor do Dragons’ Den (versão britânica do Shark Tank), Bartlett colocou capital em marcas que agora abastecem seu próprio escritório: suplementos Cadence, lattes de matcha Perfect Ted. O espaço em Shoreditch, Londres, tem nave espacial metálica de dois andares, iluminação calibrada para cortisol e qualidade do ar otimizada para alerta. Tudo exposto como vitrine do ecossistema que vende.
A proposta da Steven Holdings é verticalizada: produção, tecnologia, representação comercial, eventos e parcerias de marca sob um mesmo teto. “Quando criadores chegam a certo tamanho, são levados a contratar agente de livros, editora, equipe de conteúdo, empresa de turnês. Nós temos tudo internamente”, explica. No portfólio, nomes como Davina McCall e Paul C. Brunson.
O flanco das controvérsias e a resposta técnica
Especialistas em saúde pública cobram responsabilidade por alegações de convidados sobre Covid, câncer e protocolos não validados. Bartlett nega ser jornalista, mas anunciou mudanças: notas de correção na tela durante episódios e parceria com empresa de IA para auditar transcrições em tempo real, sinalizando imprecisões e adicionando contexto automático.
“Não existe modelo pronto de como aumentar o rigor nesse meio. Esperamos ajudar a criar um”, diz. A estratégia mistura transparência performática com blindagem jurídica: ao admitir a falha e corrigir publicamente, o programa tenta transformar o risco reputacional em diferencial de confiança.
O que observar nos próximos trimestres
A nova captação em negociação deve elevar o valuation acima dos US$ 425 milhões. Se fechada, sinaliza apetite de fundos por infraestrutura de creator economy — não apenas por audiences. Do lado do produto, a integração de IA para fact-checking ao vivo será o teste de fogo: se funcionar, vira padrão de mercado; se falhar, expõe a fragilidade de um império construído sobre confiança algorítmica.
Enquanto isso, a corrida pelo topo do YouTube continua. A ultrapassagem de Rogan, se confirmada, será simbólica: um empreendedor que não bebe, não posta nos próprios Stories e dorme em escritório com nave espacial terá batido o rei do formato longo. O próximo capítulo não é sobre áudio. É sobre quem controla a infraestrutura por trás dos microfones.
