A deputada paraguaia Rocío Vallejo protocolará nesta segunda-feira (9) uma denúncia criminal sobre retiradas milionárias do Ueno Bank nas horas que antecederam sua suspensão. O alvo: “pessoas não identificadas” que teriam esvaziado contas com informação privilegiada. O Ministério Público terá agora o poder de rastrear cada grande transferência.
A parlamentar do partido Pátria Querida anunciou a medida em seu Instagram, onde acumula mais de 51 mil seguidores. “Começo a redigir a denúncia que apresentaremos amanhã, junto com os colegas, sobre as retiradas privilegiadas”, escreveu. A estratégia de não nomear suspeitos busca evitar blindagens políticas desde o início.
O crime que o Código Penal prevê
Vallejo classificou a fuga coordenada de capitais como crime grave, tipificado no Código Penal paraguaio. A suspeita central: altos escalões do governo e da diretoria do banco teriam vazado dados sobre a insolvência iminente para círculo restrito — familiares, parceiros comerciais e aliados.
Enquanto o público geral seguia sem acesso à verdade, esse grupo seleto teria movimentado recursos para fora da instituição. A denúncia pede que promotores acessem a lista completa de grandes transferências sem qualquer filtro ou apadrinhamento.
Quase metade do país era correntista
O Ueno Bank não era uma instituição qualquer. Dados do setor indicam que quase 50% da população paraguaia mantinha contas no banco digital. A suspensão pelo Banco Central do Paraguai ocorreu após constatação de problemas de solvência e indícios de irregularidades contábeis.
O impacto direto atinge milhões de poupadores comuns. Enquanto a elite financeira pode ter se protegido a tempo, o cidadão médio ficou exposto ao congelamento de ativos e à incerteza sobre recuperação de valores.
- Público afetado: ~3,5 milhões de correntistas (estimativa)
- Motivo da suspensão: Insolvência + indícios de fraude
- Ação parlamentar: Denúncia ao MP nesta segunda (9)
- Foco da investigação: Grandes transferências pré-suspensão
O efeito cascata no poder político
O escândalo já derrubou a presidência. Santiago Peña sofreu impeachment na sexta-feira e teve prisão preventiva decretada no sábado. As acusações: lesão de confiança e administração em proveito próprio no caso Ueno. A velocidade dos eventos sinaliza que a denúncia de Vallejo pode ser apenas a ponta de um iceberg institucional.
Mas o efeito mais relevante aparece na confiança do sistema financeiro. Investidores estrangeiros e locais monitoram se o Ministério Público agirá com independência ou se a investigação será contida por pressões de bastidor.
O que observar daqui pra frente
Três variáveis definirão os próximos capítulos: a celeridade do MP em requisitar dados bancários sigilosos, a disposição do Banco Central em compartilhar relatórios de fiscalização prévios e a reação dos organismos internacionais de compliance. Para empresários com exposição ao Paraguai, o sinal de alerta está ligado: a separação entre poder político e gestão bancária mostrou-se frágil.
Quem leu até aqui sabe: a denúncia de segunda-feira pode desencadear a maior investigação financeira da história recente do país. O desenlace dirá se a justiça alcança os beneficiários dos saques antecipados — ou se a conta, como de costume, ficará para o correntista comum.
