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EUA pressionam China por terras raras: o que está em jogo na trégua que expira em janeiro

Aperto de mão entre bandeiras dos EUA e China com minerais de terras raras ao fundo simbolizando negociação comercial tensa
EUA pressionam China por fornecimento de terras raras antes do fim da trégua comercial em janeiro de 2026.

Os Estados Unidos elevaram o tom com a China exigindo o cumprimento imediato dos compromissos de Busan, especialmente no fornecimento de terras raras. A cobrança direta do Tesouro americano sinaliza que a paciência de Washington chegou ao limite.

Em ligação na sexta-feira (6), Scott Bessent e Jamieson Greer deixaram claro a He Lifeng: sem resultados concretos, a continuidade dos avanços comerciais está em risco.

O que está por trás do ultimato americano

A trégua firmada em outubro de 2025 na cidade portuária sul-coreana de Busan expira em 10 de janeiro. Originalmente prevista para terminar antes, ganhou extensão de dois meses após negociadores não resolverem as divergências centrais — prorrogando o prazo até janeiro de 2027.

Segundo autoridades americanas ouvidas pelo Financial Times, a China cumpria apenas dois terços da promessa de fornecimento de terras raras em setembro. Desde então, Pequim não aumentou as exportações, apesar das cobranças diretas de Bessent a He em Nova York.

Terras raras: o gargalo estratégico que preocupa o Pentágono

O foco não é aleatório. Terras raras como o ítrio são insubstituíveis em motores a jato, mísseis e sistemas de defesa. Restrições chinesas à exportação desse elemento ao Japão já colocaram fabricantes nipônicos em alerta: estoques atingiram níveis “perigosamente baixos”, segundo relatos do setor.

Como o Japão produz componentes que alimentam a cadeia industrial americana, o problema chega direto à base produtiva dos EUA.

  • Ítrio: essencial para ligas de alta temperatura e fosfóres
  • Néodímio e disprosio: base de ímãs permanentes em turbinas e veículos elétricos
  • Cério e lantânio: usados em catalisadores de refino e vidros ópticos

O calendário diplomático que define o próximo capítulo

Duas datas concentram as atenções. A cúpula da APEC em Shenzhen, daqui a duas semanas, reunirá Trump e Xi — embora a pauta comercial deva ficar em segundo plano. O G20 em Miami, em dezembro, é onde a negociação deve ganhar peso real.

Entre os dois encontros, Bessent e Greer devem se encontrar pessoalmente com seus contrapartes chineses. É a janela prática para transformar cobranças em entregas.

O que a China responde — e o que não diz

Pequim rejeita as acusações de descumprimento. A embaixada em Washington prometeu declaração “no momento oportuno” e reforçou o discurso de “benefício mútuo” e “desenvolvimento estável” das relações.

Do lado americano, a leitura é outra. Para Craig Singleton, da Fundação para a Defesa das Democracias, a linguagem do Tesouro foi “diplomaticamente incisiva” — código para: não haverá novas concessões sem execução do já acordado.

Soja sim, terras raras não: a seletividade do cumprimento

Um detalhe revela a estratégia chinesa. Autoridades americanas confirmam: as compras de soja estão sendo honradas. Já outros produtos agrícolas e, sobretudo, minerais críticos, ficam aquém do prometido.

Essa seletividade não é acidental. A soja atende demanda interna chinesa e tem fornecedores alternativos (Brasil, Argentina). Terras raras, não — a China controla cerca de 60% da produção global e 85% do processamento.

O que observar nas próximas semanas

Três sinais dirão se a trégua sobrevive ou colapsa: (1) se Pequim anuncia aumento efetivo de cotas de exportação de terras raras antes da APEC; (2) se as restrições de ítrio ao Japão são flexibilizadas; (3) se a reunião bilateral entre equipes técnicas entre APEC e G20 produz cronograma vinculante.

Sem movimento nesses pontos, a prorrogação até 2027 vira letra morta — e a guerra comercial reabre com novo capítulo tarifário.