Uma esteticista de 38 anos que se passava por biomédica foi indiciada pela Polícia Civil por exercício ilegal da profissão. Com mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, ela realizava procedimentos invasivos como aplicação de toxina botulínica, preenchimentos com ácido hialurônico e bioestimuladores — sem qualquer registro no Conselho Regional de Biomedicina. O que acontece agora com os pacientes que passaram por essas intervenções?
A investigação do 7º Distrito Policial de Santos revelou uma operação que ia muito além de um consultório improvisado. A mulher atendia em endereços na Baixada Santista, na capital paulista e no Rio de Janeiro, movimentando uma clientela que incluía influenciadores digitais.
O esquema montado nas redes sociais
O perfil da investigada funcionava como vitrine e ferramenta de captação. Publicações mostravam antes e depois de harmonizações faciais e corporais, além de imagens de produtos de controle sanitário estrito — substâncias que só podem ser vendidas sob prescrição médica e manuseadas por profissionais habilitados.
A polícia confirmou que ela não possuía inscrição válida no CRBM1 (Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região). A formação dela é em estética, o que não autoriza a realização de procedimentos invasivos. Ainda assim, a investigada se apresentava publicamente como apta a executá-los.
Busca e apreensão expõe estrutura clínica
Na sexta-feira (6), agentes cumpriram mandados em dois imóveis em Cubatão e em uma clínica em Santos. A apreensão dimensiona a escala da operação:
- Medicamentos e substâncias injetáveis
- Serpingas e materiais de aplicação
- Documentos e prontuários
- Dois celulares e uma máquina de cartão
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a estrutura encontrada era compatível com atendimentos contínuos de estética invasiva. Os materiais passarão por perícia para verificar procedência, regularidade, condições de armazenamento e autenticidade.
Riscos reais para quem se submeteu aos procedimentos
Procedimentos invasivos feitos por profissional não habilitado expõem pacientes a complicações graves: necrose tecidual, infecções, reações alérgicas severas, assimetrias permanentes e até óbito em casos de embolização. A ausência de registro no conselho de classe significa também ausência de fiscalização ética e técnica.
Além do indiciamento por exercício ilegal da profissão, a investigada pode responder por produto medicinal irregular, caso a perícia confirme irregularidades nas substâncias apreendidas. Ela foi ouvida e liberada — não houve flagrante — e responderá em liberdade.
O que observar daqui para frente
O caso acende um alerta para o mercado de estética: a linha entre procedimentos não invasivos (permitidos a esteticistas) e invasivos (restritos a médicos, dentistas e biomédicos habilitados) vem sendo borrada nas redes sociais. Pacientes devem exigir verificação do registro profissional no conselho de classe correspondente antes de qualquer intervenção com agulhas ou substâncias injetáveis.
A perícia nos materiais apreendidos e a análise dos prontuários devem ditar os próximos passos da investigação. Enquanto isso, o Conselho Regional de Biomedicina reforça a importância de denúncias formais contra falsos profissionais — prática que coloca em risco a saúde pública e desvaloriza a categoria devidamente habilitada.
