Economia

Raízen aprova mega aumento de capital: o que muda para seu bolso agora

Infográfico mostra reestruturação da Raízen com aumento de capital de até R$ 40 bi para sair da recuperação extrajudicial
Raízen aprova injeção bilionária que mistura aporte da Shell e conversão de dívidas em ações, redesenhando estrutura acionária.

O conselho da Raízen deu sinal verde para uma injeção de capital que pode chegar a quase R$ 40 bilhões, a peça-chave para tirar a empresa da recuperação extrajudicial. A operação mistura aporte fresco da Shell com a transformação de dívidas em ações, redesenhando drasticamente a estrutura acionária. Quem não acompanhar os prazos pode ver sua fatia derreter em mais de 90%.

Os números por trás da reestruturação

A faixa de valor aprovada varia entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões. O preço de emissão foi fixado em R$ 0,25 por ação, um desconto de 28,6% frente à média dos últimos 30 pregões (R$ 0,35) e 7,4% abaixo do fechamento de quinta-feira (R$ 0,27). O valor saiu da mesa de negociação com credores que detêm mais da metade dos créditos do plano.

Para valer, a operação exige duas condições inegociáveis: a Shell deve deter sozinha a maioria das preferenciais classe B (nova classe sem negociação em Bolsa) e o volume mínimo de 14 bilhões de ações subscritas pela petroleira deve ser atingido. Se falhar, o dinheiro volta para o bolso de quem pagou, sem correção monetária.

De onde vem o dinheiro e para onde ele vai

A engenharia financeira tem três pilares principais. Entenda a divisão:

  • Shell: aporte de até R$ 3,5 bilhões em troca de até 7 bi de ordinárias e 7 bi de preferenciais classe B.
  • Aguassanta (holding de Rubens Ometto): participação tratada como hipotética, de até R$ 500 milhões. A Cosan não exercerá direito de preferência nas classe B.
  • Credores: convertem parte da dívida em units (1 ordinária + 1 preferencial classe A), sem entrada de caixa novo.

Credores com dívidas em moeda estrangeira receberão ADRs Nível 1, custodiados pelo Citibank, facilitando a liquidação internacional.

Prioridade no uso dos recursos

Os primeiros R$ 5 bilhões (ou R$ 4,5 bi se a Aguassanta não entrar) irão direto para capital de giro. O que exceder esse teto terá destinação casada: 70% para pagamento de dívidas e 30% para reforço de caixa. A estratégia sinaliza foco imediato na liquidez operacional antes de atacar o passivo pesado.

O risco real de diluição para o acionista minoritário

O calendário é curto: o período de subscrição vai de 9 de novembro a 8 de dezembro. A partir do dia 9, as ações já negociam “ex-direito”. A empresa estima que quem exercer o direito integralmente mantém sua participação, mas quem ficar de fora enfrenta cenários severos:

  • Diluição de 57% na emissão mínima.
  • Diluição de até 94% na emissão máxima.

Não haverá rateio de sobras. Ou o acionista coloca o dinheiro no prazo, ou assume a perda de fatia.

Mudanças na governança e próximo capítulo

O pacote aprovado vai além do caixa. Está prevista a eleição de um novo conselho de administração, a reforma do estatuto social e uma redução de capital de até R$ 35 bilhões, paga com a entrega de ações da Raízen Energia. Esses movimentos sugerem uma simplificação societária agressiva, alinhando a estrutura ao novo perfil de endividamento.

O que observar nas próximas semanas

O termômetro decisivo será a adesão ao aumento de capital entre novembro e dezembro. Acompanhe a taxa de subscrição da Shell e a conversão efetiva dos credores; são eles que ditarão se a empresa sai da recuperação com musculatura financeira ou se o plano precisará de novos ajustes. Para o investidor, a decisão prática é binária: aportar para manter a posição ou aceitar a diluição massiva. O relógio já está correndo.