O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou intervenção no ueno bank na madrugada desta terça-feira (3), às 3h24, após detectar insolvência crítica na instituição. A medida pegou correntistas de surpresa e derrubou o presidente da autoridade monetária. O que isso significa na prática para quem tem valores acima da garantia oficial?
O gatilho da crise: solvência abaixo do limite
Segundo o comunicado oficial, a intervenção foi motivada por “insuficiência no índice de solvência abaixo dos 50% do mínimo requerido”. O problema surgiu após ajustes contábeis feitos durante um processo de regularização iniciado em junho. Em termos práticos, o capital do banco derreteu a ponto de não sustentar os riscos assumidos.
O BCP classificou o caso como pontual, sem contágio imediato para outros bancos do sistema. Contudo, a velocidade da ação — anunciada de madrugada — sinaliza a gravidade do quadro encontrado pelos fiscais.
Seu dinheiro está seguro? Entenda a cobertura real
A legislação paraguaia garante depósitos de até 75 salários mínimos (aproximadamente G$ 228,3 milhões ou R$ 211 mil). Para a maioria dos correntistas pessoa física, o principal está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).
O cenário muda para empresas e investidores com valores acima desse teto. O BCP afirmou estar trabalhando para que “nenhum correntista saia no prejuízo”, mas não detalhou o mecanismo nem o prazo para valores excedentes. Historicamente, a recuperação depende da liquidação de ativos do banco — processo que pode levar anos.
- Cobertura FGD: Até ~R$ 211 mil (75 salários mínimos).
- Acima do teto: Sem garantia automática; depende de recuperação de ativos.
- Prazo de pagamento FGD: Geralmente 30 a 90 dias após a liquidação decretada.
O componente político que abalou a cúpula do BCP
Até março de 2025, o presidente paraguaio Santiago Peña figurava entre os acionistas da holding controladora do ueno bank. Embora tenha se desinvestido antes de assumir o mandato, a proximidade histórica adiciona ruído político a uma crise técnica.
O reflexo imediato foi a renúncia de Carlos Carvallo à presidência do BCP. Em carta, ele alegou proteger o “caráter técnico” da autarquia diante de discussões políticas. A saída do chefe do regulador no meio da tempestade aumenta a incerteza sobre a condução do processo de resolução.
Crescimento acelerado: o outro lado da moeda
O ueno bank era, até aqui, uma das instituições que mais cresceu no Paraguai nos últimos três anos. Expansão agressiva de crédito e captação de depósitos a taxas atrativas impulsionaram o balanço — mas, aparentemente, fragilizaram os indicadores de solvência. O caso reacende o debate sobre supervisão de bancos em expansão rápida em mercados emergentes.
O que observar nas próximas semanas
A prioridade agora é a publicação do plano de resolução pelo BCP. Fique atento a três pontos decisivos: a definição do administrador judicial, o cronograma de pagamento do FGD para valores cobertos e, principalmente, a proposta de tratamento para credores quirografários (depósitos acima do teto). Investidores com exposição direta ou indireta ao sistema financeiro paraguaio devem revisar limites de risco-país e contraparte nas próximas 72 horas.
