Economia

Lucro da Pfizer cai 8%, mas projeção para 2026 esconde virada de jogo

Sede da Pfizer em Nova York com gráfico de ações ao fundo simbolizando resultados financeiros
Pfizer eleva projeção de receita para 2026 apesar de queda de 8% no lucro trimestral

A Pfizer fechou o terceiro trimestre com lucro de US$ 3,2 bilhões, queda de 8% na comparação anual, mas o mercado ignorou o retrovisor: a farmacêutica elevou a meta de receita para 2026 em US$ 1,5 bilhão. A guinada sinaliza que a aposta em aquisições começou a pagar a conta deixada pela Covid-19.

A receita trimestral mal recuou, ficando em US$ 16,6 bilhões. O foco agora migra do tamanho do lucro de hoje para a sustentabilidade do crescimento amanhã.

O motor que substituiu a vacina

Produtos vindos de aquisições recentes — nas áreas de oncologia e obesidade — cresceram 37% no período, já descontado o efeito cambial. Esse bloco compensou a erosão natural das vendas de imunizantes e antivirais da pandemia.

Três nomes puxaram a fila de receita incremental:

  • Eliquis (anticoagulante): desempenho consistente acima das expectativas;
  • Nurtec (enxaqueca): ganho de participação em mercado competitivo;
  • Lorbrena (câncer de pulmão): expansão de indicações aprovadas.

Juntos, eles funcionam como uma ponte entre o caixa atual e o pipeline futuro.

Custos sobem, mas com endereço certo

Despesas com P&D e reestruturação avançaram no trimestre. A leitura do mercado: a empresa está gastando para integrar ativos comprados e acelerar estudos clínicos, não para manter estrutura inchada.

Albert Bourla, CEO, reforçou que o portfólio de ensaios clínicos previstos para os próximos períodos é “robusto”. A promessa velada é de novos lançamentos relevantes ainda nesta década.

A aposta de US$ 64 bilhões

A projeção de receita para 2026 saltou para a faixa entre US$ 62 bilhões e US$ 64 bilhões. O aumento de US$ 1,5 bilhão sobre a estimativa anterior veio acompanhado de revisão para cima no lucro por ação.

Em números redondos: a Pfizer está dizendo ao mercado que o vale da Covid ficou para trás e que a curva de crescimento estrutural aponta para cima a partir de 2025.

Reação fria abre ponto de entrada?

As ações caíram 0,3% no pré-mercado. Investidores parecem esperar execução perfeita das sinergias de M&A e aprovações regulatórias sem atrasos — um cenário de risco binário que costuma criar assimetria de preço.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditarão se a guidance de 2026 vira realidade: taxa de conversão dos estudos clínicos de fase avançada, velocidade de integração das aquisições oncológicas e, crucialmente, o avanço do pipeline próprio de obesidade — onde a concorrência com Eli Lilly e Novo Nordisk define o teto de valorização da ação. Acompanhe as leituras de dados clínicos do primeiro semestre de 2025; elas serão o termômetro real da tese.