A Binance retomou os saques neste domingo (1º), cinco dias após o maior ataque da história do setor desviar US$ 6,3 bilhões (R$ 34,2 bilhões) em ativos digitais. A liberação ocorre em etapas e levanta a dúvida: a plataforma está realmente segura para o investidor comum?
A corretora, maior do mundo em volume, paralisou tudo na quinta-feira (29) para conter a sangria e auditar a infraestrutura. O FBI já apontou o grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte, como autor do golpe — o mesmo que levou US$ 1,5 bilhão da Bybit em 2024.
Quais ativos já podem ser sacados
A reabertura não foi total. A Binance priorizou redes e moedas com maior demanda na semana anterior ao incidente. Confira o que já está liberado:
- Ethereum (ETH), USDT e USDC na rede Ethereum;
- Ativos selecionados na BNB Smart Chain.
A empresa avisou que o processo será gradual. “Cada combinação de rede e ativo será restabelecida após verificações de estabilidade”, disse a nota oficial. Usuários devem esperar filas e prazos de processamento mais longos nos primeiros dias.
Ressarcimento: 95% garantidos, 5% em negociação
O ponto mais sensível para o cliente é a devolução do roubado. A Binance afirma ter separado recursos próprios e do fundo de emergência (SAFU) para cobrir 95% do valor.
Os 5% restantes correspondem a tokens de baixa liquidez. A corretora está comprando esses ativos no mercado aberto para recompor as carteiras afetadas, mas não há prazo definido para a conclusão dessa etapa.
A anatomia da invasão: do notebook ao colapso
A investigação interna começou apontando o comprometimento da máquina de um único engenheiro. Dias depois, a narrativa mudou: a Binance admitiu ter encontrado múltiplos pontos de entrada na rede.
Richard Teng, co-CEO da empresa, declarou que toda a infraestrutura está sendo reconstruída e testada do zero. Uma revisão completa de segurança está em andamento, com promessa de relatório público ao final.
O padrão norte-coreano e o risco sistêmico
O FBI alertou que os fundos roubados devem passar por “lavagem” complexa via mixers e exchanges descentralizadas. Grupos estatais da Coreia do Norte respondem hoje por uma fatia dominante dos grandes roubos cripto globais.
Especialistas veem o caso Binance como um teste de fogo para a confiança institucional no setor. A velocidade da resposta e a transparência na cobertura do prejuízo ditarão se o mercado absorve o choque ou entra em nova crise de liquidez.
O que observar nas próximas semanas
Três frentes merecem monitoramento constante: a conclusão da recompra dos tokens ilíquidos (os 5% pendentes), a publicação do relatório técnico sobre as falhas exploradas e eventuais ações regulatórias em jurisdições onde a Binance opera sob licença. Para o investidor, a lição prática permanece: não concentre toda a custódia em uma única corretora, mesmo na líder de mercado.
