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Binance: hack de US$ 6,3 bi supera recorde; saques travados e rastro na Coreia do Norte

Binance logo com símbolo de hack e valor de US$ 6,3 bilhões roubados
Maior roubo de criptomoedas da história atinge a Binance com US$ 6,3 bilhões

A Binance confirmou o maior roubo da história das criptomoedas: US$ 6,3 bilhões em ativos digitais foram drenados em um ataque sofisticado que começou, segundo a investigação preliminar, com o laptop de um único engenheiro. Metade do montante já foi congelada, mas a outra metade segue nas mãos dos invasores.

A corretora garante que cobrirá cada centavo com recursos próprios, mas a suspensão temporária dos saques e a queda de 4% no Bitcoin acenderam o alerta em todo o mercado. O que se sabe até agora muda a forma como a segurança institucional deve ser pensada.

O vetor inicial: gente, não código

Diferente dos grandes roubos anteriores, não houve invasão de “cofre frio” nem vazamento de chaves privadas mestras. O diretor de segurança da Check Point, Jayant Dave, classificou o episódio como um marco: os criminosos miraram a superfície humana e de sistemas internos, não a criptografia.

Richard Teng, CEO da Binance, detalhou que o laptop comprometido deu acesso a um ambiente de serviço com permissão para assinar saques. “Não foi um clique único nem erro de um só funcionário”, afirmou. O processo envolveu múltiplas etapas para burlar controles internos, sugerindo reconnaissance prévio extenso.

O rastro aponta para Pyongyang

Três das maiores empresas de inteligência em blockchain — Check Point, TRM Labs e Chainalysis — atribuem o ataque ao TraderTraitor (Lazarus Group), operação cibernética ligada ao governo da Coreia do Norte. A Chainalysis diz ter “alto nível de confiança” na autoria.

O modus operandi espelha o roubo de US$ 1,5 bilhão à Bybit (início de 2025) e o de US$ 388 milhões à Bitget (setembro de 2024). O padrão é claro: engenharia social avançada + exploração de acessos legítimos de desenvolvedores/eng.

Contabilidade do caos: o que foi congelado e o que resta

A resposta coordenada entre exchanges e emissores de stablecoins evitou que o prejuízo líquido fosse total. Veja a divisão atual dos US$ 6,3 bilhões:

  • US$ 3 bilhões congelados inicialmente pela Binance e parceiros.
  • US$ 2,4 bilhões bloqueados por Tether (USDT) e Circle (USDC) em endereços suspeitos.
  • US$ 5 bilhões já alocados pela Binance nos mesmos tokens roubados para cobertura imediata.
  • US$ 1,3 bilhão restante em processo de aquisição via market makers e tesouraria própria.

A Binance.US, entidade separada para residentes americanos, confirmou não ter sido afetada. A World Liberty Financial, projeto ligado à família Trump, também participou do congelamento de fundos.

Choque de liquidez e confiança

O anúncio derrubou o Bitcoin abaixo de US$ 67 mil em minutos, arrastando Ethereum e Solana. Analistas da TRM Labs chamam o evento de “momento sem precedentes” pela escala e pela velocidade da resposta multilateral.

O risco sistêmico, porém, não desapareceu. Ari Redbord (TRM Labs) alerta que o rastreamento on-chain está longe do fim; os hackers costumam usar mixers, bridges cross-chain e DEXs sem KYC para lavar o saldo remanescente ao longo de meses.

O que observar daqui para frente

A normalização dos saques está prometida para até 45 horas após a suspensão, mas o teste real virá nas próximas semanas: a Binance conseguirá recomprar os ativos alocados sem pressionar o mercado? O relatório forense final — prometido por Teng — deverá revelar se houve falha de gestão de acesso privilegiado (PAM) ou exploração de vulnerabilidade zero-day no endpoint do engenheiro.

Para gestores e compliance officers, a lição imediata é revisar políticas de least-privilege, monitoramento de dispositivos corporativos e planos de resposta a incidentes com contrapartes. O Lazarus Group não ataca falhas de blockchain; ataca falhas de processo e gente. O próximo alvo pode ser qualquer custodiante com superfície de ataque semelhante.