Meio Ambiente

Menino de 6 anos sobrevive a soterramento protegido pelo corpo da mãe em Juiz de Fora

Bombeiros resgatam menino de 6 anos vivo entre escombros do deslizamento no Parque Burnier, Juiz de Fora
Antony Rosa, 6 anos, foi salvo pelo sacrifício da mãe durante o temporal que destruiu o bairro Parque Burnier em Juiz de Fora.

Antony Rosa, de apenas 6 anos, está vivo porque a mãe usou o próprio corpo como escudo durante o deslizamento que destruiu o Parque Burnier, em Juiz de Fora. O bairro concentrou a maior destruição do temporal que atingiu a cidade: mais de dez residências desabaram completamente.

O corpo da mulher foi sepultado no Cemitério Municipal nesta quarta-feira (25). A criança foi resgatada com vida pelos bombeiros entre os escombros.

O bairro que desapareceu em poucas horas

O Parque Burnier virou o epicentro da tragédia. O volume de chuva superou a capacidade de drenagem e saturou o solo em tempo recorde. Encostas cederam e arrastaram casas inteiras madrugada adentro, enquanto moradores dormiam.

Dados da Defesa Civil municipal indicam que o acumulado pluviométrico nas 24 horas anteriores ao evento ultrapassou 180 milímetros — volume superior à média histórica de todo o mês de janeiro na região.

Como o resgate aconteceu

Equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local nas primeiras horas da manhã. O trabalho de busca durou mais de 12 horas ininterruptas, com apoio de cães farejadores e máquinas pesadas para remoção de blocos de concreto e terra.

  • 10+ residências desabadas confirmadas apenas no Parque Burnier
  • 180 mm de chuva em 24 horas (acima da média mensal histórica)
  • 12+ horas de operação contínua de resgate

Antony foi localizado consciente, protegido pelos braços da mãe. O posicionamento do corpo da mulher criou uma cota de ar suficiente para manter a criança viva até a chegada dos socorristas.

O que a tragédia expõe sobre ocupação de risco

O Parque Burnier não é caso isolado. Relatórios do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da própria prefeitura mapeiam dezenas de áreas de encosta em Juiz de Fora com ocupação consolidada e alto risco geológico. Muitas não contêm obras de contenção ou drenagem adequadas.

Especialistas em gestão de risco urbano apontam três falhas sistêmicas recorrentes: licenciamento flexível em áreas de preservação permanente, ausência de plano de evacuação comunitário testado e investimento reativo — só após desastres — em vez de preventivo.

Cenários para os próximos dias

A prefeitura decretou situação de emergência, o que agiliza contratação de serviços e liberação de recursos estaduais e federais. A Defesa Civil mantém alerta para novos deslizamentos: o solo permanece encharcado e a previsão indica pancadas de chuva isoladas até o fim de semana.

Famílias desabrigadas estão alojadas em escolas municipais e no ginásio poliesportivo. A secretaria de Assistência Social cadastra afetados para pagamento de aluguel social e auxílio-moradia emergencial.

O que observar daqui pra frente

A reconstituição do Parque Burnier será o teste real da capacidade de resposta do poder público. O prazo para entrega de moradias definitivas, a execução de obras de contenção nas encostas remanescentes e a revisão do plano diretor de ocupação do solo vão ditar se a tragédia vira marco de mudança ou estatística repetida. Para investidores e gestores imobiliários da região, o caso reforça a necessidade de due diligence geotécnica rigorosa antes de qualquer empreendimento em áreas de topografia acidentada.